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“Se o jornalismo morrer, as democracias morrem”

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT) foi a última entidade convidada do podcast “A falar é que a gente se entende”, representada por Manuela Carneiro e Tiago Fernandes.

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“Os alunos vêm com muito entusiasmo, o curso de Comunicação e Jornalismo é uma escolha consciente. É uma área que tem muita procura, não só no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), mas um bocadinho em todo o país”, afirma Manuela Carneiro, docente e também jornalista na SIC de Vila Real, admitindo que muitos estudantes “não têm noção de todas as potencialidades que tem esta área”.

Há quem chegue com ideias fixas, mas também há quem aproveite o curso para descobrir o caminho a seguir. “Há quem chegue com a ideia de que quer televisão, outros que querem rádio, mas depois até acabam por mudar de ideias”, refere, revelando que há também quem chegue “com a ideia de ser jornalista de guerra, que é uma coisa que eu acho inacreditável”.

Na EsACT, “eles têm contacto com muitas áreas. Têm contacto com a rádio, com a televisão, com a imprensa escrita e, quando chegam ao terceiro ano, e ao momento do estágio, têm dificuldade em escolher, porque se identificam com mais que uma área. O que acontece é que muitos percebem, durante o estágio, se é realmente aquilo que gostam ou não”, conta Tiago Fernandes.

É com muita tristeza que vejo cada vez menos órgãos de comunicação social e menos colegas a fazer jornalismo de proximidade

Além das condições da escola, com salas e material específico para este curso, como estúdio de televisão, estúdio de rádio e de som, salas de pós-produção e equipamentos que podem requisitar, Tiago Fernandes entende que outro dos motivos para o sucesso dos alunos está no facto de “haver professores que são profissionais da área. No caso da Manuela, ela consegue dar aos alunos exemplos reais daquilo que encontra no terreno e isso é uma mais-valia”.
“O que eu tento transmitir nas aulas é, no fundo, aquilo que é o meu dia a dia. Eu não dou só aulas de jornalismo, mas também de relações públicas e assessoria de comunicação e, nesse caso, tento explicar-lhes a importância de quem trabalha nessa área ter conhecimento de jornalismo, para saber como é que funciona a mente dos jornalistas e dos timings que tem que cumprir”, explica Manuela Carneiro.

E no meio dos trabalhos diários, “além de ser importante darmos voz às pessoas, o que mais me gratifica é saber que, às vezes, com uma reportagem, conseguimos arranjar ajuda para as pessoas”, salienta a jornalista, dando como exemplo os incêndios. “Temos pessoas a ligar-nos para dizer que têm disponibilidade para ajudar. Isso é o mais gratificante”, vinca. Ainda assim, reconhece que “nem tudo no jornalismo é positivo”.

 

Sobre o jornalismo regional e de proximidade, Manuela Carneiro lembra que “está numa crise duríssima”, admitindo ser “importante olhar-se mais para o trabalho que é feito”, isto porque “critica-se muito, mas não se tenta perceber a importância que tem o trabalho dos jornalistas para promover a coesão territorial, de que tanto se fala. Há um plano de coesão e não há lá uma palavra sobre o jornalismo”.

“É com muita tristeza que vejo cada vez menos órgãos de comunicação social e menos colegas a fazer jornalismo de proximidade. E aqueles que se mantêm é com muita dificuldade, é com amor à camisola porque, de facto, isto não é para todos”, frisa.

Tiago Fernandes aproveita para dizer que o jornalismo de proximidade “é essencial” para a democracia. “Para termos democracia, o jornalismo de proximidade é fundamental, porque não havendo um escrutínio aqui em Vila Real, ou em Vinhais, ou em Bragança, ou em qualquer outro local, a democracia não vai funcionar”.

“Enquanto houver entusiasmo, o jornalismo não morre”

“Enquanto houver entusiasmo, o jornalismo não morre, porque sabemos perfeitamente que o jornalismo não sobreviveria se não houvesse a paixão pela área e isso é fundamental. Mas claro que é preciso ter condições para isso e é preciso fazer uma reflexão profunda sobre esta área e mudar a opinião pública, porque noto um descontentamento muito grande em relação a algum jornalismo e depois paga toda a gente por tabela”, afirma Manuela Carneiro. Desafiada a pensar no estado do jornalismo daqui a 10 anos, a jornalista, e docente da EsCAT, espera que “estejamos melhores e que o jornalismo se mantenha vivo, porque é demasiado importante para a saúde da nossa democracia. Se o jornalismo morrer, as democracias morrem”.

EsACT

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT) de Mirandela é uma unidade orgânica desconcentrada do Instituto Politécnico de Bragança. Surgiu, em 1999, como Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela (ESTGM) e três anos depois adotou uma estrutura autónoma, assumindo o nome de Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela.

Ao longo destes anos, “mudança” é a palavra de ordem desta escola que, em 2008, e com a reestruturação dos estatutos do IPB, passou a chamar-se EsACT.
Atualmente, tem cerca de dois mil alunos, distribuídos por vários cursos, entre eles Comunicação e Jornalismo.

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