Domingo, 25 de Setembro de 2022
Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Timor Lorosa’e – 20 anos de história

Neste texto sobre Timor vou partilhar convosco tudo o que de melhor lá passei.

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A minha condição de membro do Rotary Club de Vila Real foi a alavanca perfeita para as atividades de apoio social que lá levei a cabo. Contribuí para a Escola Amigos de Jesus, que era um sonho do Padre João Felgueiras, Jesuíta, das Caldas Taipas e há mais de 60 anos em Timor. Encontrei-me com ele muitas vezes e “senti” quanto importante era para ele essa escola. O seu amor a Timor era e é enorme. Muitos timorenses que hoje ocupam lugares de relevo estudaram com bolsas que ele lhes concedia com o apoio das instituições ligadas aos Jesuítas. O nosso convívio repetia-se todas as vezes que eu lá regressava.

Acompanhei a construção da sua escola, desde a primeira pedra. Quando já estava construída dinamizei um projeto em nome do RC de Vila Real, de outros clubes portugueses e da Rotary Foundation, fundação dos rotários de todo o mundo. Esse projeto consistiu na entrega de material escolar e informático, para que os seus alunos tivessem melhores condições de aprendizagem. Nesta tarefa tive o apoio dos Leigos para o Desenvolvimento, formado por jovens voluntários que muito ajudaram os timorenses naquela fase da sua vida.

A nossa amizade permitiu-me pedir-lhe que fizesse o prefácio para o livro Um Olhar (Atento) sobre Timor que escrevi e apresentei em 2008 na Fundação Oriente, instalada na casa que foi do Senhor Manuel Carrascalão, pessoa de grande prestígio entre os timorenses e que nunca saiu de Timor, mesmo nos momentos mais difíceis. Foi nessa casa que o seu filho Manelito foi assassinado, com vários timorenses. O seu “pecado” foi dar guarida e comida a muitos timorenses que foram perseguidos durante a ocupação indonésia.
A apresentação do meu livro foi um dos momentos mais altos da minha passagem por Timor. Estiveram presentes pessoas ligadas ao Governo, à nossa Embaixada e outras de reconhecido valor em Timor. Tive o gosto de ver lá a maior parte dos alunos que ainda hoje trago no coração.

O Movimento de Adolescentes e Crianças (MAC) brindou todos os presentes com as suas canções e as suas danças. Este movimento foi iniciado pela Irmã Eliene, de nacionalidade brasileira. Todos os dias mais de 400 alunos e alunas se dirigiam para uma casa onde decorriam as aulas de apoio a todos. No entanto tive oportunidade de constatar com os meus olhos que uma boa parte do tempo passado nessa casa era dedicado ao teatro, à música e à dança, executada ao som da música que “saía” de um rádio que foi oferecido pelas esposas dos membros do Rotary Club de Vila Real e que eu entreguei numa tarde em que os visitei. A Irmã Eliene foi transferida para o Brasil, dando seguimento às regras da Ordem religiosa a que ela pertencia. Hoje está no Lar S. Vicente de Paulo, Goiás, Brasil. Todos os dias me delicio a colocar “gosto” nas inúmeras atividades desenvolvidas no lar. A mim não me admira nada que assim seja, já que conheço bem as suas capacidades.

Quando ela foi transferida, ainda eu andava por Timor, considerei muito injusta a sua transferência, para os adolescentes timorenses que perderam uma pessoa que muito fez por eles.

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