Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021

Três milhões de euros para “teatralizar” a produção de vinhos de excelência

Em Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira, já é possível ver ao longe as obras de construção da Adega da Quinta da Teixeira, um investimento 100 por cento estrangeiro que vai trazer o glamour para a arte de produzir o vinho sem esquecer, no entanto, as ancestrais técnicas durienses

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Deverá entrar em funcionamento em Setembro a nova adega da Quinta da Teixeira, em São João da Pesqueira, uma infra-estrutura que, orçada em três milhões de euros, vai “aliar a produção de vinhos de altíssima qualidade a uma arquitectura distinta e marcante que possa ser vivida e apreciada”.

Localizada em Ervedosa do Douro, coração da região duriense, a nova adega, que representa parte de um investimento de vários milhões de euros do empresário Roger Zannier, vai marcar a paisagem ao nível arquitectónico ao apresentar-se como um edifício de quatro pisos “no qual se vão conciliar os métodos tradicionais de produção de vinhos e os mais sofisticados equipamentos”.

Artur Miranda, em sociedade com Jacques Bec, é proprietário da empresa de arquitectura e decoração «Oitoemponto», responsável pelo projecto, acredita que está a nascer no Douro uma “obra de referência”, que associará ao impacto das faces de betão um eixo central de vidro verde-escuro, “numa clara alusão ao vidro verde da garrafa”.

Além da preocupação ao nível da adaptação do edifício à paisagem envolvente, a dupla de arquitectos pensou ao pormenor os interiores do edifício, sendo de destacar a sala de stock de madeira, onde as pipas de vinho serão ‘abraçadas’ por um espaço vestido a ardósia preta (revestimento das paredes e pilares) e enriquecido com elementos dourados, “conferindo a todo o espaço o natural glamour” da «Oitoemponto».

“O piso de vinificação, com imagem completamente industrial, compõe-se pelas gigantescas cubas em aço inox para a vinificação. Os passadiços que encimam as cubas preenchem a área de trabalho no seu duplo pé direito de cerca de sete metros”, explicou ainda Artur Miranda, defendendo que, além de atrair os apreciadores de vinho, a nova adega poderá também ser um pólo de atracção ao nível do turismo de arquitectura.

Se a imagem, estrutura e decoração será inovadora na região duriense, a produção do vinho vai recorrer aos métodos mais tradicionais. “Destacam-se os diferentes patamares de produção, nos quais é utilizada unicamente a força da gravidade, dispensando qualquer sistema mecânico de bombagem”, um processo que decorrerá em harmonia “com os mais sofisticados equipamentos disponíveis”.

“Qualquer peça que seja coerente consigo própria não choca. E este edifício tem uma função”, referiu o mesmo responsável sobre a adega que, ocupando uma área bruta de construção de 21 750 metros quadrados, deverá coexistir em perfeita harmonia com a paisagem.

Com uma área total de s23 500 metros quadrados, a Quinta da Teixeira foi adquirida pelo actual proprietário há cerca de cinco anos e tem vindo, desde então, a manter uma actividade vinícola com todo o processo de escolha e tratamento das castas e a realização de experiências, que vão agora consubstanciar-se com a produção de quatro categorias de vinhos: Vinho D.O.C. Douro Tinto e Branco, Vinho do Porto: Single Quinta Vintage e Vinho do Porto Branco Seco.

Além da adega de barricas de madeira, onde serão envelhecidos os vinhos de maior qualidade (340 barricas, cada uma com a capacidade de 225 litros), será ainda criada uma sala de stock com 15 cubas de inox, com capacidade superior a mais de 60 mil litros.

Criada em 1993, esta é a primeira adega idealizada pela «Oitoemponto», no entanto a empresa tem actualmente sob a sua responsabilidade a construção de raiz de um restaurante de luxo, em Luanda, com dois pisos e 250 lugares sentados, a decoração de um edifício de escritórios com 36 andares, e vários projectos por todo o mundo, nomeadamente Brasil, Angola e Inglaterra”, entre outros.

 

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