O relatório dedicado ao enoturismo na Galiza e no Norte de Portugal, promovido pelo Eixo Atlântico, foi apresentado hoje, em Vila Real.
O relatório incidiu sobre o potencial do enoturismo na Galiza (Valdeorras e Ribeira Sacra) e no Norte, com especial atenção às regiões vitivinícolas do Douro, Vinhos Verdes e Trás-os-Montes.
Carmen Pardo, da Universidade de Santiago de Compostela e coautora do estudo, disse que o objetivo inicial era o de desenvolver o enoturismo em duas regiões vinícolas portuguesa (Verdes e Trás-os-Montes) e espanholas, mas mudou, depois de estudarem o Douro como fonte de inspiração.
O destino enoturístico Douro está consolidado, mas, para Carmen Pardo, “pela teoria dos ciclos de vida dos destinos turísticos” pode chegar a “um momento de estagnação e de declínio”.
“E, portanto, quisemos fechar o relatório com algumas propostas também para o Douro”, salientou.
Nesse sentido, segundo concretizou, o relatório propõe desenvolver o conceito de turismo de autor, um turismo mais personalizado nesta que é a mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo, ainda a criação de um observatório de sustentabilidade a criação de um ‘hub’ de inovação ligado ao enoturismo.
Criar diferentes portas de entrada na região, foi outra das propostas apresentadas, para associar o Douro às quintas, paisagens, gastronomia, património, para além do produto vinho.
“E um grande desafio que é o de o Douro liderar este destino conjunto com a Galiza a nível de vinho”, frisou, justificando que foi, por isso, que o relatório foi hoje apresentado em Vila Real, que também está inserido na Região Demarcada do Douro (RDD).
O objetivo é gerar atividade durante todo o ano, diminuir a sazonalidade, e ampliar o impacto do vinho na hotelaria, no comércio e no empreendedorismo local, transformando-o numa porta de entrada para a descoberta de todo o território.
E, para aumentar a permanência média dos turistas e, consequentemente, eles deixarem mais dinheiro nestes território, é preciso, segundo o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, “dar argumentos que agradem às pessoas”.
Argumentos como o enoturismo, mas também a gastronomia, termalismo e património.
“E temos vindo a trabalhar nessa estratégia e agora compreendemos que chegou a altura de dar um passo em frente com o vinho, porque até agora destacávamos uma região avançada, que era o Douro, mas percebemos que as outras regiões já estão em condições de acompanhar esse ritmo e, por isso, propomos uma estratégia conjunta de todos”, sublinhou Xoán Vázquez Mao.
O relatório formula estratégias diferenciadas para os três territórios vitivinícolas nortenhos, adaptadas aos recursos de cada um deles, com o objetivo de converter os recursos vitivinícolas em experiências turísticas diferenciadas e comercializáveis, aproveitando a personalidade única de cada território.
O estudo propõe reforçar o papel de Vila Real e de Peso da Régua como “porta de entrada e centro de conhecimento e inovação do Douro”, através do criação do Douro Innovation & Tourism Hub, que ligue municípios, entidades turísticas, universidades e centros de conhecimento, empresas vitivinícolas, alojamento, restauração e operadores turísticos.
E Vila Real, segundo o presidente da Câmara, Alexandre Favaios, pode ser “um polo agregador de um conjunto de vontades” e juntar um “conjunto de sinergias que potencie” esta eurorregião e, no caso específico do Douro, ajudar a alavancar ainda mais a oferta.
O primeiro passo poderá ser a realização de um congresso dedicado ao tema do vinho.

