Manuel R. Cordeiro
Manuel R. Cordeiro
Professor Catedrático aposentado da UTAD

Uma boa leitura para o confinamento

O Alan tornou-se conhecido em todo o mundo pelos trabalhos que fez para o National Geographic Magazine e textos que publicou em diversos jornais australianos, britânicos e americanos, sempre tendo como tema os assuntos relacionados com o mar.

Em 1949, o Embaixador de Portugal em Washington, Teotónio Pereira, propôs-lhe, em nome do governo português, que acompanhasse a frota portuguesa de bacalhoeiros até aos bancos da Terra Nova e às zonas de pesca junto à costa da Gronelândia, no estreito de Davis. O convite foi aceite de imediato. Foi combinado que ele iria no Argus, um lugre (barco à vela) com motor. Teve à sua disposição um quarto para que tivesse condições para levar a cabo o trabalho de que foi incumbido. O livro é uma descrição de tudo o que se passou durante os cerca de 6 meses que a viajem durou, pois iniciou-se no dia 1 de abril de 1950 e terminou no dia 30 de setembro.

Num momento em que o nosso Portugal é muito falado por maus motivos relacionados com a pandemia que atingiu todo o Mundo, ler este livro permite-nos conhecer o que foi a pesca do bacalhau, o chamado pão dos mares, feita pelos pescadores portugueses.

Li-o há cerca de um mês. O meu orgulho em ser português subiu. O que os nossos pescadores conseguiam fazer com o Argus e outros barcos idênticos, deixou-me mais convicto de que somos capazes de enfrentar e resolver os problemas, por mais difíceis que sejam, com a determinação, a força de vontade, a valentia e o amor a Portugal e às suas famílias demonstrado por esses homens que, com enorme esforço nos traziam o bacalhau de que tanto gostamos, para cumprirmos a tradição natalícia e satisfazer os gostos dos portugueses por aquele que conhecemos como “fiel amigo”.

-PUB-

Sendo o autor um homem do Mar, não admira que comparasse os nossos pescadores da pesca do bacalhau com os navegadores de Quinhentos.

A leitura deste livro encheu-me de orgulho por ser português e pertencer a um País que deu cartas a todo o mundo nesta área da pesca do bacalhau. O autor, várias vezes, nos seus escritos e nas suas conferências, enalteceu o empreendedorismo, a capacidade e a qualidade do trabalho desenvolvido pelos nossos pescadores. O livro realça muito aquilo que era o papel do Navio de apoio aos barcos de pesca, denominado Gil Eanes, que apoiava os nossos barcos, mas que era solicitado também por barcos de outros países, aos quais prestava ajuda, como se fossem nossos. Dado o enorme impacto que o livro teve em todo o Mundo, Portugal ficou mais conhecido e, mais uma vez, mostrou que é um povo empreendedor e capaz de grandes feitos.

Se lerem o livro estou em crer que sentirão, tal como eu, que ocuparam bem o tempo. 

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