Sem nada a perder, o Vila Pouca entrou em campo com uma postura defensiva mas sempre à espreita de explorar o contra-ataque. Aliás, a primeira grande oportunidade esteve nos pés de Marco, mas Nené saiu da baliza e evitou males maiores para a sua equipa. Na resposta, Schuster isola Leandro mas a defesa aguiarense recupera a tempo e alivia para longe da sua área. Pouco depois da meia hora de jogo, a melhor ocasião desta primeira parte, com Leandro a rematar para defesa incompleta de Hugo, depois a bola ficou em Miguel que rematou à trave. Ao intervalo, o nulo espelhava a fraca exibição dos locais, que estiveram muito longe daquilo que sabem e podem fazer. Os forasteiros aproveitaram algum desnorte do adversário para discutir o resultado taco a taco com o líder.
Na segunda parte, o jogo foi diferente, com os locais a adotar uma estratégia mais dinâmica, encostando o Vila Pouca ao seu setor mais recuado, que agora já não saía para o ataque com o mesmo fulgor dos primeiros 45 minutos. Logo aos 47’, Miguel fez tudo bem na ala direita, coloca-a na área mas Castanha rematou torto. Aos 50’, de livre, Paulinho atira em jeito e a bola bate novamente na trave. A resposta dos aguiarenses também foi através de um livre ainda longe da baliza, com Moisés, num grande pontapé, a fazer estremecer a barra. Uma autêntica bomba do experiente jogador aguiarense. Aos 60’, bom trabalho de César já dentro da área, a colocar ao segundo poste onde aparece Miguel a falhar escandalosamente o golo, já que era só empurrar para a baliza deserta. O Vila Real não marcava e a ansiedade começava a ser evidente fora e dentro de campo, no entanto, os jogadores acreditaram sempre que era possível chegar ao triunfo e já na reta final da partida, Leandro dá um pequeno desvio ao cruzamento tenso de Dioguinho, com Hugo novamente no caminho da bola a evitar o golo vila-realense. Mais uma perdida dos donos da casa. Mesmo assim, o golo vai acabar por chegar numa altura em que poucos acreditariam. Schuster cruza largo para a área, com o central Fred a ganhar a bola dentro da área e a “fuzilar” autenticamente Hugo, fazendo o golo da vitória ao minuto 91.
Esta vitória sofrida é um justo prémio para os alvinegros, sobretudo pelo que fizeram no segundo tempo. O Vila Pouca lutou muito e tudo fez para não perder mas acabou por claudicar nos instantes finais.
Depois de ter perdido cinco pontos nos últimos dois jogos, este regresso às vitórias do Vila Real foi muito festejado pelos jogadores, equipa técnica e pelos poucos adeptos que se deslocaram ao Monte da Forca.
No domingo, o Vila Real vai até ao terreno do último classificado, o Sabroso de Aguiar, enquanto o Vila Pouca recebe o Mondinense, uma equipa sempre complicada.
As reações dos treinadores
NUNO Pereira, treinador-adjunto do Vila Real
“Há que dar mérito aos jogadores que acreditaram até ao fim”
O técnico-adjunto realçou a postura da sua equipa na segunda parte, em que mostrou outra qualidade e acabou por merecer conquistar mais três pontos.
“Na primeira parte, não estivemos bem, fomos muito previsíveis na circulação de bola, jogamos com pouca intensidade e criamos poucas situações de finalização. No entanto, na segunda parte, conseguimos ser mais agressivos sobre a bola, a atitude da equipa foi completamente diferente e apostamos tudo para conquistar os três pontos. Há que dar mérito aos jogadores que acreditaram até ao fim e o golo já surgiu mesmo perto do final da partida. Quero dar os parabéns aos nossos jogadores e dar uma palavra de conforto ao nosso adversário, que foi um digno vencido. Vamos continuar o nosso rumo, a trabalhar durante a semana para no domingo conquistarmos mais uma vitória. Agora, a vantagem é mais confortável mas nós estamos focados nos nossos jogos e esperamos vencer sempre para conquistar o mais rapidamente possível o título de campeão”.
Sobre o próximo encontro, Nuno Pereira refere que não há jogos fáceis. “A jogar contra o Vila Real, as equipas estão sempre motivadas e dificultam ao máximo a nossa tarefa, mas nós vamos respeitar o adversário e trabalhar com o intuito de conquistar mais três pontos em Sabroso de Aguiar”.
Rui Ralha, treinador do Vila Pouca
“Temos de dar os parabéns ao Vila Real que foi melhor que nós”
No final do encontro, o técnico aguiarense ficou conformado com o resultado, referindo que ganhou a melhor equipa.
“Sabíamos que este seria um jogo complicado, já que o Vila Real tem uma equipa tecnicamente muito boa, e nós teríamos que aproveitar bem os lances de contra-ataque. Tivemos boas oportunidades, mas infelizmente não conseguimos concretizar. Fomos a primeira equipa a criar perigo, com Nené a resolver bem a situação ao sair aos pés de Marco. Depois ainda tivemos duas bolas na trave. Quando não se marcam estas ocasiões soberanas, num campo destes, é sempre complicado ganhar pontos. Claro que se marcássemos primeiro, iriamos baixar ainda mais as nossas linhas e o Vila Real iria ficar desorganizado e iria sentir ainda mais dificuldades, no entanto, isso não aconteceu e por isso temos de dar os parabéns ao Vila Real, que foi melhor que nós. Temos de reconhecer isso, no entanto nem sempre ganha a melhor equipa, mas hoje ganhou”.
“Estamos a fazer um campeonato ao nível do ano passado, com um orçamento mais reduzido, por isso acho que estamos bem, a única coisa que correu mal foi a eliminação da Taça logo na primeira jornada, quando o ano passado a vencemos”.
Ficha Técnica
Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca.
Árbitro: André Neto.
Auxiliares: Israel Lopes e Márcio Teixeira.
VILA REAL – Nené, Beja (César, 57’), Fred, Tiago, Zé Diogo (Dioguinho, 76’), Castanha, Rui (Bessa, 66’), Schuster, Leandro, Paulinho e Miguel.
Suplentes não utilizados: Marcelo, Carreira, Topinha e Francis.
Treinador: Abel Ferreira.
VILA POUCA – Hugo, Rafa (Francês, 85’), Duarte Sampaio, Solas, Luisinho, Samuel, Moisés (Joel, 58’), Duarte Paço, Nelson, Bouças e Marco (Keko, 72’).
Suplentes não utilizados: Nuno, Luís Lopes e Mike.
Treinador: Rui Ralha.
Ao intervalo: 0 – 0.
Marcador: Fred (91’).
Cartões amarelos: Duarte Paço (24’), Bouças (26’), Paulinho (42’), Hugo (44’), Luisinho (48’), Duarte Sampaio (53’), Moisés (54’), Samuel (68’), Castanha (68’).



