Em 1985, Carlos Alonso iniciava a sua atividade exclusivamente como viticultor, entregando a sua produção de uvas às adegas cooperativas onde era associado, nomeadamente em Alijó e Sanfins do Douro. Após começar a produzir e a engarrafar, em 1994, rapidamente outros viticultores o abordaram para este lhes ficar com as uvas.
“O objetivo inicial consistia em tratar só das minhas uvas. Depois, alguns conhecidos começaram a pedir-me para ficar com as suas uvas e, após dizer que não umas vezes, cedi. Então, tive de arranjar mercado para essa produção toda. Cresci mais por imposição dos fornecedores do que pelos clientes”, recordou o empresário, responsável pela Carlos Alonso Douro Wine, que começou com uma adega dimensionada para 300 pipas, e atualmente está num espaço de quase sete mil pipas.
De acordo com o fundador, o principal trunfo da adega é a excelente relação preço-qualidade. Aberto à ambição e à inovação para se destacar dos demais no mercado, a empresa prima pela preservação da tradição, ao mesmo tempo que se vai adaptando à constante mudança dos tempos. “Felizmente, o negócio tem corrido bem, mas também tive de me esforçar e empenhar ao máximo para conseguir mercado e ir inovando nos produtos, sempre com preços atrativos para os clientes”, explicou.
A Carlos Alonso Douro Wine tem disponível ao público vinhos engarrafados da região do Douro, entre eles as marcas Quintela, Dom Xisto, Piano, entre outros. Reserva, moscatel Douro, espumantes, vinho licoroso, vinho doce, vinho classificado como DOC (Denominação de Origem Classificada) são as variedades.
Com uma equipa composta por 12 colaboradores, o empresário refere que o crescimento do mercado permitiu a admissão de um maior número de viticultores na empresa, o que é muito positivo. Ainda assim, são demasiadas as vezes em que “comprar uvas é um tiro no pé, pois é normal adquirir vinhos feitos no mercado mais baratos do que o que se paga pela compra das uvas.
“Às vezes penso que seria preferível comprar o vinho já feito a outros, do que estar a comprar as uvas e a maquinaria que é toda muito cara. Além do mais, aquelas máquinas são muito sazonais ou seja, são para trabalhar cerca de vinte dias por ano. O custo da amortização de uma adega é elevadíssimo”, explicou.
Uma das grandes preocupações da empresa são as cobranças, no sentido em que fora do concelho as vendas são realizadas através de uma rede de distribuição de grossistas, estando muitos deles a passar dificuldades. “Os encargos deles subiram bastante, por exemplo, com o combustível e as portagens. E para satisfazer os pagamentos de vários fornecedores, eu e outros ficamos para trás. Também tenho o defeito de não ser muito persistente nessa matéria”, confidenciou o produtor.
Crescer nas exportações
A Carlos Alonso Douro Wine está presente nos principais países europeus e também no continente americano. Recentemente tem vindo a crescer na Ásia, sobretudo na China. Ainda assim, o mercado nacional continua a ser a maior aposta, embora o empresário pense que “daqui a meia dúzia de anos, a maioria das vendas já será mercado externo”.
“Acho que o negócio vai continuar a crescer, sobretudo nas gamas de maior qualidade. Estamos a fazer um esforço para produzir vinhos cada vez de melhor qualidade e ir abandonando as gamas mais baixas, às quais tive de me dedicar por forma a escoar a enormidade de uvas que aqui me iam aparecendo”, referiu Carlos Alonso, acrescentando que o volume de faturação, em 2015, rondou 1,5 milhões de euros e, este ano, irá seguramente ultrapassar os dois milhões.
A empresa tem ainda investido para dar o devido tratamento a todas as uvas que entram na adega e espera “que se consiga pagar um pouco mais aos viticultores, pois o preço da uva é, de facto, muito baixo”.


