Domingo, 26 de Setembro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Bênção de uniões homossexuais

Como a ciência o confirma, a homossexualidade não é uma doença, nem é uma desordem sexual, por isso também não deve ser entendida como pecado.

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Hoje é um dado assente que há pessoas que têm atração pelas pessoas do mesmo sexo. Só nos resta acolher e respeitar essas pessoas na sua forma de ser. Como a ciência o confirma, a homossexualidade não é uma doença, nem é uma desordem sexual, por isso também não deve ser entendida como pecado. A Congregação para a Doutrina da Fé declarou há dias que a bênção de uniões homossexuais é ilícita. Sustenta esta decisão o conceito de matrimónio, que não pode deixar de ser a união de um homem e uma mulher. Uma união homossexual não é nem pode ser um casamento na verdadeira aceção da palavra, como muitos defendem, como tal não se devem promover confusões e equiparar o que não é equiparável.

Contudo, se é aceitável e defensável esta argumentação, na verdade, o que a Igreja tem dado a entender é que não aceita as uniões homossexuais, são uma transgressão, um grave desvio do plano criador de Deus, viver uma união homossexual é viver uma situação pecaminosa, é um amor indigno e desordenado, que não merece nem pode ter, por isso, uma bênção de Deus. Esta visão gera muita incompreensão e uma forte repulsa dos homossexuais e de grande parte da comunidade científica. Numa carta aberta dirigida ao Papa Francisco, um clérigo homossexual expressa a sua total discordância em relação à doutrina e à decisão da Igreja, e fê-lo com palavras duras: “Minha Igreja, Senhor, é aquela que continua a discriminar homossexuais, mulheres e leigos. É a megainstituição incapaz de se mover um milímetro, com medo de perder o poder terreno, aquela que esconde abusos e se corrompe pelo dinheiro. É a Igreja dos cavalheiros padres e freiras, do feudalismo contemporâneo, da servidão, do “cala a boca, tu não és padre”, dos púlpitos das arengas políticas”. A partir do momento que se reconhece que é normal a inclinação homossexual de algumas pessoas e que se tem o dever de as aceitar como tal, existindo um compromisso com direitos e deveres e a devida maturidade humana, acho que ficaria bem à Igreja dar dignidade a esse amor ou a essa relação com uma bênção, por muito simples que fosse, do que se ficar apenas pela simples demonstração de acolhimento e respeito, quase dando a entender que tem pena delas. Jesus pediu-nos para nos amarmos, não fez referência a condutas sexuais. O amor pode ser vivido e partilhado de muitas formas. “Onde há caridade verdadeira, aí habita Deus”. Não vejo Deus a recusar abençoar uma união homossexual onde haja um verdadeiro compromisso de amor.

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