O que nos diz a realidade portuguesa em cada concelho em relação ao mercado da habitação? Vamos olhar para o mapa.
A primeira conclusão é simples: falta habitação onde há mais procura e existe excesso onde há cada vez menos população. Esta relação entre a oferta e a procura dita os preços. Ou seja, como seria expectável, a lei da oferta e da procura, um conceito fundamental da economia, aplica-se também a este mercado, apesar de muitas vezes nos esquecermos e tentarmos imputar as principais responsabilidades a outros fatores (que, ainda que não sejam desprezáveis, não são o fator principal). Nesta relação de oferta, procura e preços, o Algarve é um caso particular, já que os números da oferta são inflacionados pelo elevado número de segundas habitações para férias dos proprietários ou destinadas ao turismo. Ou seja, olhando para o mapa, o Algarve não parece ter um grave problema de oferta (o que não justificaria os elevados preços), mas uma parte grande dessa oferta não está no mercado de habitação permanente.
Assim, onde há muitas casas disponíveis no mercado e pouca procura, os preços tendem a ser mais baixos do que onde há poucas casas disponíveis no mercado e muita procura. Veja-se dois casos extremos, usando como exemplo as capitais de distrito. Em Lisboa, o preço mediano das vendas por metro quadrado para alojamentos familiares em 2023 foi de 4.167€, quase 6 vezes superior a Portalegre (723€). O que diferencia estes concelhos? A procura por habitação e a relação com a oferta existente.
No litoral do país, sobretudo nas áreas metropolitanas e nos arredores de Lisboa e Porto a oferta habitacional é mais reduzida e há muita procura, refletindo-se em preços mais elevados. No interior, há mais oferta habitacional mas a procura é reduzida, refletindo-se em preços mais baixos.
Conclui-se, como tal, que aumentando a oferta habitacional haverá uma inevitável pressão na redução dos preços. Mas como? Procurando derrubar os inúmeros obstáculos atuais à construção: excessiva burocracia e morosidade dos licenciamentos, poucos terrenos disponíveis nos grandes centros urbanos, carga fiscal, excessivos regulamentos, etc.




