O segundo período de aulas, marcado pelo ensino à distância, termina hoje após três meses para os alunos dos ensinos básico e secundário. Estes regressam às salas de aula após as férias da Páscoa, enquanto que os alunos pré-escolares e primários regressaram às salas no passado dia 15 deste mês.
Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), refere que “[h]ouve mais aulas à distância que presenciais” e que “[a]umentou a literacia digital de professores e alunos e há muitos mais equipamentos distribuídos”.
No entanto, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) Manuel Pereira diz que que vários alunos confessaram estarem “desmotivados e cansados”, pelo que “nada substitui a presença dos alunos na sala de aula e o convívio na escola”.
Também o diretor do Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, alerta que o “abandono do interesse e motivação pela escola” substituiu o abandono escolar precoce. Os professores notaram a “falta de interesse, cansaço e até um esgotamento” por parte dos alunos, pelo que “não é fácil ter os adolescentes agarrados, durante todo o dia, às aulas através de um computador”.
Manuel Pereira refere que professores e assistentes operacionais viajaram de casa em casa para “ajudar as famílias a pôr os computadores a funcionar”. Por sua vez, o presidente da ANDAEP acrescenta que “a falta de autonomia e dificuldade de concentração nas aulas” também dificulta o ensino aos mais novos.
Sobre a questão da saúde mental, Filinto Lima relembra que a “escola é um espaço de socialização fundamental” e defende o reforço do “número de técnicos especializados nas escolas, em especial os psicólogos”. Já o responsável da ANDE acrescenta ainda que existem “muitos professores em situação de pré-‘burnout’” e que muitos “são também pais e estiveram a dar aulas enquanto os filhos também tinham aulas e precisavam de apoio”.
As férias da Pascoa começam hoje, dia 26. A vacinação dos professores e funcionários do pré-escolar e do 1.º ciclo está marcada para o fim-de-semana, seguindo-se a vacinação nos restantes níveis de ensino a 10 e 11 de abril.
Os cerca de 150 mil testes à Covid-19 realizados nas escolas desde janeiro possuem apenas uma taxa de positivos de 0,1%. Os diretores esperam que o regresso às aulas, a partir de dia cinco de abril, seja “em força e até ao final do ano”.


