Sábado, 18 de Abril de 2026
Vila RealArquivo Municipal: Espaço de memória de todos os vila-realenses

Arquivo Municipal: Espaço de memória de todos os vila-realenses

Situado na Rua Augusto Rua, perto da antiga Estação, o edifício do Arquivo Municipal de Vila Real é uma peça arquitetónica de finais do séc. XIX, inícios do séc. XX, representativo de uma arquitetura vulgarmente designada por “traça brasileira”, introduzida pelos emigrantes que fizeram fortuna no Brasil.

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O Arquivo Municipal tem como principal missão a gestão do património documental do município, sendo, por isso, um serviço transversal a toda a câmara municipal, assumindo as valências de arquivo intermédio e histórico, e intervindo em todas as fases do circuito documental.

Carla Eiriz, coordenadora do Arquivo Municipal, explica que ali se encontra toda a “documentação produzida e recebida pelo município, desde processos de obras, atas, escrituras, correspondência, diversos licenciamentos, entre outros. Ter esta documentação salvaguardada permite comprovar os direitos dos cidadãos vila-realenses, mas também apoiar diversos estudantes no desenvolvimento das suas teses de licenciaturas, mestrado ou doutoramento”. 

A informação ali “guardada” remonta a 1541, com as atas da câmara municipal, até aos dias de hoje. “Não é possível guardar tudo, o espaço é limitado. 

Por sua vez na lei nacional, existe uma portaria como Regulamento para a Classificação e Avaliação da Informação Arquivística da Administração Local, que nos permite fazer a avaliação e seleção de toda documentação. A partir daí, sabemos quais são os documentos a eliminar e os que devem ser conservados permanentemente”.

Parte do arquivo (atas e processos de obras) já se encontra digitalizada. “Temos atas da câmara desde 1541, o que facilita imenso a sua consulta e contribui para preservar os originais da degradação, tal como acontece com os projetos de obras, que são consultados diariamente. Tirar fotocópias já não é tão exequível e a digitalização veio ajudar muito o tratamento da informação”. 

“Os Arquivos têm informação única, que mais ninguém tem”
Carla Eiriz
Coordenadora do Arquivo

Quem tiver em sua posse arquivos importantes — sejam famílias ou particulares — com registos relevantes para a história da cidade, pode doá-los ou depositá-los no Arquivo Municipal, sendo essa colaboração sempre bem-vinda, pois enriquece a memória coletiva de Vila Real.

“É uma oportunidade de dar a conhecer às novas gerações a história de Vila Real, comprovando as atividades e acontecimentos”, acrescenta Carla Eiriz, sublinhando que este “é um serviço público para o cidadão”. 

BIBLIOTECA / ARQUIVO

Carla Eiriz destaca a “grande diferença” entre bibliotecas e arquivos “Estes últimos têm informação que mais ninguém possui. Ou seja, o que aqui existe não se encontra noutro local”.

Além disso, o trabalho do Arquivo tem uma função interna e externa: interna, para a gestão e apoio aos serviços municipais; externa, para disponibilizar a informação aos cidadãos e investigadores. Os Arquivos são de extrema importância, porque guardam documentos únicos e originais”, sublinha, acrescentando que os Arquivos “são também fundamentais para relembrar as nossas origens, a nossa identidade e a nossa evolução ao longo do tempo.  Não podemos chamar-lhe um arquivo morto, porque sempre que precisamos de um documento, ele está lá. Eu costumo dizer: nós é que morremos, os documentos ficam cá para provar que existimos”.

ABERTO À COMUNIDADE     

Através de exposições, concertos, serviço educativo, o Arquivo tem vindo a atrair cada vez mais visitantes. 

Mara Minhava, vereadora com o pelouro da cultura na Câmara de Vila Real, sublinha, no entanto, que este equipamento “não é uma sala de espetáculos; esses eventos servem apenas para atrair mais pessoas a visitar o espaço”. 

O Serviço Educativo é também uma “mais-valia” para a sua divulgação do Arquivo. “É sobretudo através do passa a palavra”.  O Arquivo “é um depósito vivo, dinâmico e em constante mutação, que requer uma série de cuidados e é fundamental para contar a história da cidade”, acrescenta. 

Para tornar a consulta mais ágil, a autarquia aposta na digitalização. “Apresentámos uma candidatura para adquirir uma máquina de digitalização, que vai facilitar a vida, quer das pessoas que aqui trabalham, quer daquelas que vêm consultar documentos. É um processo que vamos fazer para toda a câmara municipal. Ou seja, quem quiser consultar um grande processo não precisa de tirar fotocópias, pode levar tudo numa pen-drive”, concluiu a vereadora.


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