António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

As verdades podem doer, mas devem ser ditas

O Encontro na Aula Magna de há duas semanas, promovido por Mário Soares, provocou reações e, ao que parece, até a edição apressada de um livro em contraponto ao que ali se passou. Ora, bem vistas as coisas, um conjunto de cidadãos – os jornais falavam em 2400 -, reuniram-se para se pronunciarem sobre os problemas com que o país se debate e com que os portugueses se veem confrontados todos os dias. E a liberdade de reunião, consagrado como um direito na Constituição da República Portuguesa, ainda está em vigor. Acresce que o direito de opinar sobre as questões que nos dizem respeito também ainda se mantém.

Nem sempre foi assim, é verdade. Alguns não se lembrarão desse tempo histórico. Normalmente distraídos, ou ignorando a nossa história recente, a geração que hoje tem responsabilidades governativas não prima pelo seu conhecimento. Como desconhecem o papel que Mário Soares, Álvaro Cunhal, no exílio ou na clandestinidade, de Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mota Amaral, Miller Guerra, Magalhães Mota – a chamada ala liberal do regime –, assim como do grupo apelidado de “católicos progressistas”, onde se encontra Pereira de Moura, o Padre Felicidade Alves e outros tiveram para que a democracia lhes permitisse aceder ao poder.

O episódio protagonizado pelo grupo da Capela do Rato, cuja vigília provocou a intervenção da PIDE e um aceso

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