Domingo, 12 de Julho de 2026

Azeite: o ouro líquido premiado do concelho

A produção de azeite é muito relevante no concelho de Vila Flor, de onde saem vários azeites premiados. Medalhas e menções honrosas alcançadas não só em Portugal como além-fronteiras.

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Segundo o município, entre os rios Tua, Sabor e Douro, existe cerca de um milhão de oliveiras, expostas ao clima produtor de aromas e sabores únicos, que dão origem a um dos produtos mais importantes do concelho.

Além dos produtores com marca própria, a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Vila Flor e Ansiães reúne cerca de 700 produtores associados, cerca de 80% do concelho.

Anualmente, transforma entre três milhões e quatro milhões de quilos de azeitona, que resulta em aproximadamente 400 mil litros de azeite.

O presidente da cooperativa, Hélder Teixeira, explica que “88% desse azeite é dos agricultores e só uma parte (12%) reverte a favor da cooperativa, e temos uma média de rendimento de 17% a 18%”.

Os maiores produtores deixam o azeite para ser comercializado pela cooperativa, através de uma das três marcas: azeite Douro Superior, azeite do Olivicultor, e o Bioflor, azeite biológico, mais difícil de comercializar por haver menos operadores para este produto.

Perante estas dificuldades, defende que seria importante haver cooperação entre várias entidades, para ser possível vender azeite da região e colocar grandes quantidades no mercado.

“O azeite de Trás-os-Montes, para ser comercializado em grande escala, tem de ser feito um investimento muito grande na DOP Trás-os-Montes. Somos 11 cooperativas e quase não falamos umas com as outras. Há uma desunião bastante grande entre concelhos e não conseguimos fazer uma concentração do produto”, lamenta o dirigente.

Os preços pagos ao produtor são uma questão que gostava de ver alterada. Pois, apesar de nos últimos anos o custo do azeite no supermercado ter subido muito, o acréscimo não foi repercutido nos ganhos dos olivicultores. “Neste momento, no consumidor, os preços continuam altos e no produtor os preços estão demasiadamente baixos”, sublinha.

Já o escoamento do azeite da cooperativa, esse está garantido “mais caro ou mais barato”.

Atualmente, a instalação de olival está estabilizada, mas Hélder Teixeira lembra que entre os anos 90 e até 2010, “houve um investimento bastante grande na olivicultura” na região. Além da modernização da produção, nesses anos também “se investiu na modernização dos lagares”.

Em alguns casos, os produtores dedicam-se a 100% à agricultura, mas muitos olivicultores têm outras fontes de rendimento, e esta é uma fonte importante de aumentar o orçamento familiar.

Para a qualidade do azeite acredita que contribui o terroir, o relevo e o clima, próprios do concelho, o facto de os olivais estarem associados à vinha e outras fruteiras, e por existir uma variedade diferente de outros sítios, a cordovil, que representa cerca de 40% da produção. Isso contribui para que a mistura seja distinta.

Mas o responsável explica que “quem produz o azeite é a natureza e nós só o retiramos das azeitonas”.

Segundo Hélder Teixeira, “se for bem feito, se os homens não o estragarem” na árvore, “o azeite é bom”.

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