Sábado, 27 de Novembro de 2021

Campeonatos não profissionais terminaram e ninguém desce de divisão

Seis clubes transmontanos vão continuar no nacional. Alguns deles ponderam recorrer
ao empréstimo da Federação para superar dificuldades .

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Estão terminadas todas as competições seniores organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nomeadamente o Campeonato de Portugal, competições nacionais de futsal e futebol feminino, onde não há vencedores, nem descidas de divisão. 

Entretanto, a FPF anunciou um fundo superior a 4,7 milhões de euros, aos quais os clubes poderão recorrer, até final do mês. 

A notícia já era aguardada pelos dirigentes dos clubes transmontanos, que revelam que o mais importante mesmo é a preservação da saúde pública. 

MONTALEGRE

A jogar na série A, o presidente do Montalegre, Paulo Viage, disse à VTM que não havia condições para continuar com o campeonato, no entanto, lamenta que esta decisão traga “muitos prejuízos” para o clube que dirige. “Tínhamos muitos patrocinadores, que estão em grandes dificuldades e isso afeta obviamente o clube, uma vez que não estão em condições de continuar a ajudar”.

O dirigente lembra que há coisas mais importantes do que o futebol e compreende que esta era uma decisão inevitável.

Sobre os salários, o presidente diz que até agora “tem cumprido” com todos os jogadores do plantel, no entanto, teme pelo futuro do clube. “Estamos apreensivos não só com o próprio clube, mas também com os jogadores, sobretudo os estrangeiros, que contam com o salário para viver. O que vai ser dessa gente?”, questiona, adiantando que a FPF deveria ajudar os jogadores a partir do momento em que anunciaram o final do campeonato. “As linhas de crédito terão de ser pagas, por isso não acredito nesse tipo de medidas. Era necessário ir mais longe e repensar toda a prova”. 

PEDRAS SALGADAS

Jorge Barroso, presidente do Pedras Salgadas, corrobora que esta foi a melhor decisão, atendendo ao momento que o país atravessa, em que é necessário salvaguardar a saúde pública. 

Revela que o clube tem todos os salários regularizados, tanto a jogadores como equipa técnica, devido a empréstimos de particulares, que o clube terá de pagar mais tarde. “Há dois africanos (emprestados pelo Vizela) que continuamos a suportar as despesas, mas não sabemos até quando, vamos aguardar”.

Sobre as verbas anunciadas pela FPF, Jorge Barroso admitiu que o Pedras deverá recorrer aos apoios, que são empréstimos que terão de ser pagos. “É importante ter esse acesso ao crédito, que poderá ajudar a colmatar alguns problemas de tesouraria. E também pagar a quem avançou com o dinheiro para o clube”. 

CHAVES SATÉLITE

O vice-presidente, Óscar Santos, revelou à VTM que a opção de terminar o campeonato foi da FPF, os clubes “pouco ou nada foram ouvidos”, como tem acontecido quase sempre. 

O dirigente do emblema azul-grená adiantou que “tem tudo em dia” com os jogadores, que estão desde a suspensão do campeonato em casa, à exceção de alguns africanos, que estão nos apartamentos que o clube paga. “Os jogadores receberam na semana passada o mês de março, mas agora temos de analisar o que vai acontecer daqui para a frente”.

Relativamente ao empréstimo, Óscar Santos refere que é uma matéria que a direção “irá analisar e a ponderar” o que pretende para o futuro. “Há muitas despesas, uma época no campeonato de Portugal custa entre 200 a 300 mil euros. Por isso, há várias situações em cima da mesa, temos de ver o que será melhor para o GD de Chaves”.   

VILA REAL 

Francisco Carvalho, presidente do SC Vila Real, reconhece que esta decisão acabou por manter os alvinegros no nacional, uma vez que a manutenção seria “muito difícil”, perante a classificação que tinha na série B. “Estou feliz por continuarmos no nacional, mas, por outro lado, acabamos por ser prejudicados na formação, em que queríamos subir em alguns escalões”. 

Como a época já terminou, o presidente revela que não vai pagar mais salários e admite vir a recorrer ao empréstimo que está a ser mediado pela FPF. “Vamos reunir hoje (quinta-feira) com a federação e parece-me que é uma ajuda aos clubes, uma vez que não tem juros e até pode ser perdoado 25% do valor emprestado, se cumprirmos todas as condições”.

MIRANDELA 

Carlos Correia, presidente do Mirandela, já tinha defendido que o melhor seria dar por terminado campeonato, uma vez que “não havia condições para o retomar”.

Antevendo este desfecho, o dirigente disse que os jogadores e equipa técnica regressam a casa mais cedo. “Decidimos que fossem mais cedo embora e foi a melhor opção que tomamos”, afirmou, acrescentando que o clube não vai recorrer ao empréstimo anunciado pela FPF. “Temos uma situação estável e o empréstimo só traria problemas para o futuro”. 

BRAGANÇA

Foi a decisão sensata, pois o “mais importante é a saúde de todos”, revela Carlos Roxo, um dos responsáveis do Bragança, adiantando que desportivamente acabou “por ser benéfico”, apesar de acreditar que a manutenção era possível. “Até ao final, acredito sempre”.

O dirigente não acredita na boa vontade da FPF, que “só ajuda os grandes”. “Merecíamos uma atenção especial, porque fazemos um grande sacrifício para manter as equipas no nacional”.   

A viver uma crise diretiva, o Bragança irá, “logo que possível”, realizar uma assembleia-geral para marcar eleições, depois da saída do presidente Milton Roque.

 Francisco Carvalho

 Vila Real

 "Foi bom para os seniores, assim não descem de divisão”

 

 

  Carlos Correia

 Mirandela

 "Não havia condições para o campeonato retomar”

 

 

 Jorge Barroso

 Pedras Salgadas

 "É importante ter esse acesso ao crédito”

 

 

 Carlos Roxo

 Bragança

 "Desportivamente acabou por ser benéfico”

 

 

 Óscar Santos

 Chaves Satélite

"Uma época no Campeonato de Portugal custa entre 200 a 300   mil euros”

 

 

 Paulo Viage

 Montalegre

"Estamos apreensivos não só com o próprio clube, mas   também com os jogadores”

 

 

Fundo e as condições para o apoio aos clubes

  • Fundo para o Campeonato de Portugal – cerca de 28 mil euros por clube;
  • Clubes têm de solicitar ajuda e podem candidatar-se até 30 de abril;
  • Para se candidatarem, os clubes têm de ter tudo em dia até fevereiro; 
  • Federação paga em duas tranches (maio e junho);
  • Para receberem o valor em junho, os clubes têm de provar que pagaram março e abril;
  • Clubes comprometem-se a manter o mesmo número de equipas/escalões que tinham esta época na próxima temporada;
  • O empréstimo não tem juros, mas tem de ser pago em quatro anos;
  • Se o clube cumprir estes parâmetros, no final do empréstimo poderá não ter de pagar 25 por cento do valor que recebeu. 

 

 

 

 

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