São originais, inéditas, com cerca de 150 anos, e revelam ao público uma parte até agora desconhecida da história da viticultura portuguesa. A exposição “Castas Portuguesas – As aguarelas de Emílio de Oliveira Pimentel (1844-1880)” foi inaugurada no Museu do Douro, onde poderá ser visitada até 24 de novembro.
A coleção, pertencente ao Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, representa diferentes castas portuguesas com um rigor científico e artístico pouco comum. Uvas, cachos e folhas são reproduzidos com grande detalhe.
A descoberta aconteceu apenas em 2022, quando Ana Margarida Silva, arquivista do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, se deparou com a coleção durante o trabalho de organização do arquivo do Visconde de Vila Maior, pai de Emílio de Oliveira Pimentel. “Um dia tive esta excelente surpresa de ter uma coleção de mais de 40 aguarelas de castas de uvas do Emílio”, recordou à VTM.
O conjunto encontrava-se fora da documentação do Visconde de Vila Maior e estava guardado entre depósitos e embrulhos que nunca tinham sido abertos. “Nenhuma destas aguarelas está publicada”, explicou a arquivista, acrescentando que a coleção antecipa em cerca de uma ou duas décadas outras representações conhecidas de castas portuguesas.
Emílio de Oliveira Pimentel nasceu em Lisboa, em 1844, e formou-se em Agronomia e as aguarelas terão resultado da colaboração com o pai. Apesar de não haver informação que indique formação específica em desenho ou pintura, Ana Margarida Silva considera-o um “autodidata” com “um profissionalismo” e uma “mão belíssima”. A qualidade das imagens é tal que, segundo a arquivista, alguns visitantes chegam a questionar se estão perante fotografias ou desenhos.
A exposição é complementada por documentação histórica do Visconde de Vila Maior, incluindo manuscritos relativos à vinha e às castas, onde são registadas descrições e diferentes designações utilizadas nas várias regiões vitivinícolas portuguesas.
Para Fernando Seara, diretor do Museu do Douro, a exposição representa também o resultado da importância das parcerias. “É um acervo que é desconhecido por toda a gente”, afirmou, destacando a colaboração com a Universidade de Coimbra e a possibilidade de levar posteriormente a mostra a outros pontos da região. Nesse sentido, está já prevista uma itinerância da exposição.



