Segunda-feira, 27 de Abril de 2026
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

A Central do Biel e o Museu do Douro

Quando hoje descia da Vila Velha em direção aos passadiços do Corgo para uma visita à Central do Biel, aberta, agora, à visitação, depois de devidamente estudada e musealizada, em conjunto com a Fábrica de Curtumes e a Quinta do Granjo, que se insere na Região Demarcada do Douro, como se escreve num dos painéis, ocorreu-me uma reunião de trabalho da Estrutura de Missão do Museu do Douro, em 2002.

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O Professor Gaspar Martins Pereira, a propósito de dar cumprimento ao que a Lei da Criação do Museu da Região do Douro (Lei nº 125/97, de 2 de dezembro) instituía – “uma estrutura polinuclear distribuída por toda a Região do Douro” -, colocou a possibilidade da reabilitação e transformação numa unidade museológica da Central do Biel, a 1ª central hidroelétrica do país. Estando, então, a colaborar, em regime de voluntariado com a referida Estrutura de Missão, congratulei-me com a ideia, mas não escondi o receio das dificuldades que, nessa altura, se encontrariam para passar da ideia a factos – a localização e a dificuldade em trazer para essa causa os dirigentes autárquicos de então.

O Museu do Douro, como decorre do artigo 3º, “terá como âmbito a Região do Douro em toda a sua diversidade cultural e natural”, diz respeito a todo o território da região do Douro e a toda a comunidade duriense. Tinha, pois, todo o sentido que a Estrutura de Missão se propusesse tão ambicioso projeto, pensava com os meus botões. A ideia da “estrutura polinuclear” pretendia que se valorizasse e aproveitasse cabalmente tudo o que pudesse constituir fator de desenvolvimento da região.

Passaram 22 anos. Para Portugal não é muito, disse-me uma visitante, hoje, dia da abertura, quando falámos deste episódio. Pois não. Não é muito tempo face à tarefa algo ingente com que os promotores e executantes da ideia se confrontaram. Não é muito se recordarmos o tempo que demoraram algumas infraestruturas a chegar à região, como o caminho-de-ferro, as autoestradas, o teatro municipal. Mas a Central do Biel – Museu de Arqueologia Industrial, pronto a integrar a rota do Turismo Industrial, aí está. Com os parabéns ao atual executivo da Câmara Municipal de Vila Real, assim como a toda a equipa da Estrutura de Missão do Museu do Douro. E a propósito de rota, como seria interessante criar o percurso dos Museus de Vila Real – Vila Velha, Arqueologia e Numismática, Som e Imagem e, com a colaboração da Fundação da Casa de Mateus e do Centro Cultural Regional de Vila Real, Casa de Mateus e Museu Etnográfico de Vila Real!

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