A Associação de Inter-Reformados da União de Sindicatos de Vila Real, em contacto com os reformados e aposentados, tem tomado conhecimento das inúmeras dificuldades que estes enfrentam económica e socialmente.
Após uma vida de trabalho e descontos para a Segurança Social e CGA, a grande maioria dos reformados e pensionistas tem reformas muito abaixo do limiar da pobreza. Portugal é o segundo país da União Europeia em que as despesas com a saúde mais pesam no orçamento familiar. Há reformados que têm de fazer opções, ou compram medicamentos ou pagam a renda de casa. Alguns, em vez de tomar a medicação diariamente tomam dia sim, dia não, para que dure até ao final do mês, isto prejudica o cumprimento da terapêutica indicada pelo médico e por sua vez a sua própria saúde.
Sabemos que a medicina, em todas as suas áreas, tem evoluído muito e criado condições para o aumento da longevidade e a qualidade de vida, mas, porém, não podemos esquecer que apesar de todos termos direito a usufruir destes avanços, a maioria fica muito aquém. Assim sendo, há pensionistas de primeira e de segunda, consoante as possibilidades económicas. Hoje em dia ainda há muito que reivindicar, para poder ter uma velhice com qualidade e dignidade. Os idosos precisam mais apoio de lares da rede pública com condições dignas, com recursos humanos em número adequado à satisfação das necessidades básicas dos utentes. Falta apoio domiciliário para quem quer envelhecer na sua própria casa, faltam centros de dia onde haja condições sociais e culturais para que os utentes se sintam confortáveis e possam desfrutar da sua velhice felizes, faltam transportes públicos com horários compatíveis com os horários dos serviços públicos e dos serviços de saúde.
Hoje, temos reformas de miséria devido à exploração capitalista dos trabalhadores que no ativo tinham vencimentos muito baixos que deram origem a pensões miseráveis. Para podermos lutar pelos nossos direitos tivemos de nos unir e pedir ajuda às organizações de classe, os sindicatos. Criaram-se associações e organizações de reformados porque unidos e apoiados pelos sindicatos temos mais força para a lutar pelos nossos direitos.
A CGTP-IN decidiu lançar uma petição à Assembleia da República e ao Governo para exigir “melhores reformas e pensões, gratuitidade dos medicamentos e dos transportes públicos em todo o país para maiores de 65 anos e pessoas com doenças crónicas”. Em Portugal há quase 3 milhões de reformados, 1.700 mil pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza e 14 mil pessoas estão a viver na rua. A pobreza acentua-se e alastra cada vez mais. Este governo é insensível e procura enganar-nos com promessas no futuro, mas é agora que passamos privações e precisamos de ser apoiados. Os aumentos são insignificantes e não nos permitem enfrentar os aumentos dos preços dos bens e serviços essenciais à satisfação das necessidades básicas. Por tudo isto temos de continuar a lutar pelos direitos básicos inscritos na Constituição da República Portuguesa.



