Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Palcos e Caminhos chegou a Vila Pouca de Aguiar

Foi com enorme emoção que apresentei o meu livro em Vila Pouca de Aguiar… A sessão abriu com um esplendoroso momento musical, protagonizado por um quinteto de músicos da Banda de Pontido.

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O livro foi apresentado superiormente por Henrique Morgado e contou com a presença da presidente da câmara municipal, Ana Rita Dias, do antigo maestro e presidente da banda, Américo Costa, e da autarca Laura Saraiva. Na assistência, encontravam-se ainda a presidente da Assembleia Municipal, Maria João Fernandes, e o diligente bibliotecário Paulo Gonçalves.

Maria Pires e Fátima Ribeiro, como sempre, brilharam pelo apoio incondicional e pelo perfume discreto da sua simpatia.

E ali, recordei o carinho com que fui recebido quando, nos anos 70, lecionava na Escola Preparatória Dr. Henrique Ferreira Botelho. O dia 14 de outubro de 1972 ficou assinalado como o primeiro passo de um longo e exigente percurso na minha vida como professor.

Alunos, professores, pessoal administrativo, auxiliares e toda a comunidade marcaram-me profundamente, permanecendo em mim pela simplicidade, hospitalidade e bondade.

Também em 1975 passei pela velhíssima e consagrada Banda de Pontido. Aí dei formação musical a jovens.

Recordei, com emoção, a vontade com que eles aprendiam. Nos seus rostos lia-se a alegria, e em cada som nascia a felicidade- uma felicidade única, que só a música sabe oferecer.

Na apresentação do livro, deixei o meu testemunho sobre um filho de Pontido: Américo Costa. Tendo sido meu aluno em Vila Pouca de Aguiar, revelou desde cedo uma vontade firme e rara de aprender música, movido por um propósito maior: servir a Banda de Pontido. Em 1977/78, deslocava-se semanalmente a minha casa, em Mateus, onde, com dedicação exemplar, foi assimilando tudo o que eu tinha para lhe transmitir. Os conhecimentos então adquiridos, viriam mais tarde a florescer plenamente, levando-o a dirigir, entre 1986 e 2011, com denodada paixão e reconhecida competência, a banda da sua terra.

Ao longo dos tempos, Mateus e Pontido cruzaram-se por diversas vezes nos palcos da ribalta. E, nesses encontros, mais do que simples atuações, havia algo de sagrado: a música erguia-se como um verdadeiro santuário, onde cada artista tocava com a força da sua fé e o engenho da sua arte.

Este livro é, afinal, um testemunho de vida e de gratidão – um percurso feito de encontros, aprendizagens e afetos, que nasceu em Mateus e encontrou em Pontido e Vila Pouca de Aguiar um dos seus mais eloquentes ecos. Neles vivem rostos, gestos e sons que o tempo não apagou: alunos dedicados, comunidades generosas e músicos que fizeram da arte uma missão. Entre todos, permanece a memória de quem, como Américo Costa, transformou a aprendizagem em legado, onde a música se ergue como expressão artística, como lugar de pertença e humanidade.

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