Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Os de cá e os de lá

Há dias, houve quem estranhasse porque demorou alguns dias, um jornal diário, que até nasceu no Porto, se não me engano, publicou uma notícia em que algum ilustre tecia lucubrações à volta dos custos para o erário público do facto de o Presidente da República eleito ter afirmado que, sempre que pudesse, iria pernoitar em sua casa, nas Caldas da Rainha.

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Um Presidente normal, com uma família normal! Como um de nós! Nada mais havendo para falar, alerta-se para a “anormalidade” que tal atitude esconde. Na verdade, é simplesmente, mais um pequeno sinal, que nada tem de extraordinário. Fomos nós, portugueses, que achámos por bem eleger alguém que não tem residência habitual em Lisboa, nem na linha de Cascais. Nasceu numa vila, bem no interior beirão, e casou numa cidade do litoral, a uma hora de distância da capital, onde quis residir e, por sua vontade, mesmo que em tão nobres e importantes funções, em que será investido no próximo dia 8, deseja continuar a residir. É assim, tem sido assim, em muitas questões de relevo. Quando alguém com visibilidade mostra querer sair do establishement, logo se levantam as vozes do costume a invetivar tamanha ousadia. O tempo para percorrer tal distância não será muito maior do que o que demora de Belém a Cascais… São os de lá contra os de cá.

Também por estes dias e na sequência dos temporais que assolaram o país, designadamente, na zona centro do país – Leiria, Marinha Grande, Pombal, Figueira da Foz e Coimbra, só para assinalar alguns dos municípios mais atingidos, os autarcas distinguiram-se no apoio imediato às populações. Normal, dir-se-á! Mas porque estão ali, próximos. As pessoas até os conhecem. Ora, alguém ousou falar de novo na regionalização administrativa do país. Argumentos não faltam, hoje, como há uma trintena de anos. Então, o Presidente da República que por estes dias sai de Belém quis exigir um referendo a que António Guterres não soube fugir. E o processo emperrou, o que não foi aceite por muitos, dentro e fora do Parlamento, já que era um compromisso eleitoral, assumido nos Estados Gerais para Uma Nova Maioria. Parou, mesmoOra, alguém considerou ser oportuno reativá-lo, agora, porque parece evidente que o poder distante tem muita dificuldade em resolver os problemas das pessoas, os problemas reais. E os mais próximos, os detentores do poder local, ou regional, melhor e mais rapidamente são capazes de estar junto das pessoas e encontrar soluções no imediato. De novo, vozes se levantam, – os de cá podem querer; os de lá detestam. Como vem sendo habitual.

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