Em comunicado, a Coligação Democrática Unitária (CDU), que agrega o PCP e o partido ecologista Os Verdes, garante que tem acompanhado “com preocupação os recentes anúncios de um projeto, desenvolvido pela Engie, com a instalação de torres eólicas e parques fotovoltaicos no Nordeste Transmontano, quer pela sua extensão num território de elevado valor patrimonial, agrícola e ambiental, mas também pela falta de transparência na sua condução”.
Para a CDU, o projeto previsto para as barragens das hidroelétricas de Picote (Miranda do Douro), Bemposta (Mogadouro) e Baixo Sabor (Moncorvo), através da construção de novos parques fotovoltaicos e eólicos em Miranda do Douro, Mogadouro e Carviçais (distrito de Bragança) “correspondem a uma agenda europeia que impõe um alegado reforço da competitividade da economia portuguesa e aceleração da transição para um sistema energético mais limpo, flexível e resiliente”.
“Porém, na prática, traduz mais uma clara cedência do Governo aos grandes interesses económicos das multinacionais energéticas, é mero pretexto numa lógica especulativa que aproveita a necessidade de desenvolvimento energético para destruir o património natural e cultural, vedando até eventuais benefícios para as regiões”, indicou a CDU.
Segundo a coligação, “os vários projetos da Engie, pelo que já se conhece, pretendem ocupar largas faixas de território com parques e estruturas, com impactos cumulativos, que inviabilizam, nestas áreas, a agricultura, pecuária e apicultura, setores fundamentais para a economia local do Nordeste Transmontano, comprometendo não apenas a produção presente como também futura, numa paisagem que se descaracteriza e perde interesse para o setor do turismo”.
A CDU refere que importa também denunciar “a falta de transparência e envolvimento da população nestes processos de hibridização das barragens”, acrescentando que “as sessões de esclarecimento divulgadas e promovidas pela Engie primam pela informação incompleta relativamente à localização prevista e à sua natureza, para que assim fiquem as populações à margem da discussão de assuntos que lhe dizem diretamente respeito”.
A coligação relembra ainda aos vários órgãos do poder local democrático compete acautelar o interesse dos seus munícipes/fregueses e da economia local.
A posição da CDU surge na sequência da sessão da apresentação do projeto de hibridização da central hidrelétrica de Picote e parque eólico realizada em 07 de maio, na aldeia raiana de São Martinho de Angueira pela Engie.
Quanto à potência deste parque eólico, neste momento perspetiva-se que possa ter uma capacidade de aproximadamente 157,5 MegaWatts.
Nesta fase de projeto estão previstos 105 hectares, de área não vedada, onde se inserirão os aerogeradores, valas de cabos e acessos.
Outros dos projetos passa pela hibridização em três centrais elétricas transmontanas através de projetos fotovoltaicos com capacidade de cerca de 354 Megawatts-pico (MWp).
As centrais em causa são Bemposta (Mogadouro), Baixo Sabor (Torre de Moncorvo) e Foz Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó).




