Como resposta, estas têm vindo a desenvolver estratégias de acompanhamento e de intervenção de modo a minimizar o desperdício de talentos e projetos de vida e a própria construção de uma geração qualificada e empenhada na modernização social, cultural e tecnológica do país.
A democratização do acesso ao Ensino Superior, que se observou a partir dos anos 80 e 90 do século passado, trouxe consigo a massificação e a consolidação de desigualdades dentro do próprio sistema, colocando em causa a democratização do sucesso académico. A população estudantil, cada vez mais heterogénea ao nível cultural, social e económico, obriga a novos modos de ação, nomeadamente ao nível das práticas pedagógicas, em prol da defesa de processos de ensino e de aprendizagem capazes de se adequarem aos desafios colocados por esta heterogeneidade.
Apesar da crise económica vivenciada no nosso país, a frequência universitária ainda é um apreciável recurso para uma melhor integração dos jovens no mercado de trabalho. Contudo estas questões são colocadas em causa quando nos debruçamos sobre o número de jovens que abandonam os seus estudos universitários sem terem concluído a sua formação de nível superior. As dificuldades económicas vivenciadas por muitas famílias poderão estar na origem deste abandono, obrigando a uma entrada precoce e menos qualificada no mercado de trabalho de muitos jovens e contribuindo para a manutenção de desigualdades sociais.
Neste contexto, e preocupada com esta problemática, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro realizou em 2014 um estudo exploratório intitulado “Abandono escolar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro”, onde se apresentaram dados que demonstravam o aumento do abandono escolar nesta instituição desde o ano letivo 2009/2010 até ao ano do estudo. Também se constatou a influência das questões económicas no abandono por parte dos estudantes. Este panorama, que certamente, não se restringe a esta Universidade, retarda e dificulta o alcance de metas há muito assumidas pelo próprio Estado: conseguir que 40% da população com idade entre os 30 e os 34 anos tenha completado um nível de educação pós-secundário até 2020.
Com base neste cenário a UTAD criou o Observatório Permanente do Abandono e Promoção do Sucesso Escolar, responsável pela monitorização do abandono escolar e promotor de estratégias que, em tempo útil, permitam reverter as situações de abandono sinalizadas. Este Observatório, em atividade desde janeiro de 2016, e financiado pela Secretaria de Estado para o Ensino Superior, está enquadrado no projeto “Sucesso Académico” gerido pelo Consórcio UNorte.pt, envolvendo, para além da UTAD, as Universidades do Porto e Minho.
No âmbito do Consórcio UNorte.pt já foram realizadas dois encontros, um na Universidade do Porto e outra na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde membros de várias instituições de ensino superior debateram as questões do abandono e insucesso, assim como estratégias para a sua prevenção e monitorização do impacto das medidas implementadas, ao longo do ciclo de estudos.
[Nota: artigo com a colaboração de Cristiana Cabreira, Fernando Bessa e José Paulo Cravino]
Combate ao abandono escolar e ao insucesso académico na agenda da UTAD
Ainda que não assumindo uma dimensão alarmante, as transições e processos de adaptação dos estudantes ao ensino superior, bem como a sua aprendizagem e desenvolvimento psicossocial são, atualmente, preocupação constante das instituições de ensino superior.



