A OCDE, num relatório de 2025, assegura que é o futuro da educação, enquanto continua a «sugerir» aos governos ocidentais que se apressem a introduzir estas ferramentas com a desculpa de que esta estratégia reduzirá as desigualdades educativas, promoverá a sustentabilidade e preparará os estudantes para as «profissões futuras».
Porém, não se pode ocultar a questão de fundo: a escola actual encontra-se integralmente colonizada pelo neo-liberalismo e ideologias conexas que pretendem submeter o Estado aos interesses privados, naturalizando a ideia de que a educação pode ser objecto de escolha em mercado livre, quer se recorra ao ensino público ou privado. A educação deixou de ser concebida como um direito social e um instrumento de emancipação colectiva para ser tratada como investimento económico e produção de «capital humano» ao serviço das empresas, sem intervenção reguladora estatal.
O ministro Fernando Alexandre, cultor deste instrumento de política económica, tem em curso uma operação de transformação da escola numa organização análoga a uma empresa, orientada pela eficiência, competitividade, avaliação permanente e adaptação às necessidades do «mercado de trabalho», executando zelosamente o que organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial ou a União Europeia, determinam. Os seus programas, assentes em políticas educativas baseadas na concorrência, na privatização, na descentralização e na gestão empresarial das escolas, determinam que as profissões do futuro devam ser técnicas, profissionalizantes e subjugadas às «necessidades do mercado».
Um exemplo da tosca digitalização em curso foram os recentes exames nacionais, realizados sem testagem prévia, que serviram para revelar a total incompetência do ministro, o compadrio e o seu projecto pessoal de ataque aos professores e desmantelamento da escola pública, entretanto empatado pela reprovação popular do Pacote Laboral e pelos sombrios negócios em que se envolve: consignação de rios de dinheiro público a empresas tecnológicas incumbidas de desenvolver uma plataforma para avaliação digital de alunos avariada, incluindo uma subsidiária da multinacional VINCI, entrega da manutenção e funcionamento do sistema informático de processamento de classificações a uma companhia com ligações estreitas ao PSD e colocação de amigos na plataforma de processamento e tratamento das respostas dos alunos.
O ministro é um fiasco, deve demitir-se e cabe-nos a todos resistir ao neoliberalismo educativo exposto no conjunto de alterações metodológicas, curriculares e pedagógicas que as escolas experimentam, defender uma escola emancipadora, voltada para a formação cultural, política e humana do aluno, e não apenas para as necessidades do capitalismo.



