Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Catrapum! O pacote caiu!

Após onze meses de luta, o pacote laboral está morto e enterrado.

Não caiu por acidente, nem por generosidade de quem governa, mas porque a classe trabalhadora portuguesa o empurrou para a cova através da luta organizada.

Hoje é dia de celebrar, de festejar uma grande vitória de quem trabalha e produz a riqueza do país. Durante quase um ano, milhares de trabalhadores recusaram aceitar o ataque aos seus direitos, recusaram resignar-se e mostraram que a força coletiva continua a ser a arma mais poderosa de quem vive do seu trabalho.

Esta vitória pertence aos trabalhadores. Pertence aos que participaram em plenários, concentrações, manifestações e greves. Aos que discutiram a situação com colegas, amigos e familiares. Aos que explicaram pacientemente a justeza desta luta nos locais de trabalho, nas ruas e até em casa. Pertence aos que nunca desistiram, mesmo quando muitos procuraram ignorar a sua voz e desvalorizar o papel da CGTP-IN, a única central sindical que esteve, do princípio ao fim, ao lado dos trabalhadores no combate a este pacote laboral.

A queda desta proposta deixa também uma importante lição. As batalhas dos trabalhadores vencem-se quando são travadas em todas as frentes. Nos locais de trabalho, através da organização sindical. Na rua, através da mobilização e da luta de massas. Nos partidos políticos onde os trabalhadores encontram representação dos seus interesses. Na Assembleia da República, onde essa representação se transforma em combate político. E até na esfera pessoal, esclarecendo, convencendo e mobilizando. Foi assim que se construiu esta vitória, ao longo de milhares de plenários realizados por todo o país.

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Alguns dizem que esta foi uma luta política. E têm razão. Como política é toda a confrontação entre interesses diferentes na sociedade. Quando uns defendem mais lucros para os grandes grupos económicos e outros defendem salários dignos, horários justos e direitos laborais, estamos perante uma escolha política. O problema nunca foi a política, mas saber que interesses a política serve.

Em Trás-os-Montes conhecemos bem as consequências das desigualdades. Conhecemos os baixos salários, a falta de oportunidades para muitos jovens, a desertificação e o abandono do interior. Por isso sabemos também que nenhuma conquista cai do céu, mas que todas são arrancadas pela luta.

A derrota do pacote laboral não encerra o combate. Os interesses que lhe deram origem continuam presentes. Mas esta vitória prova que, quando a classe trabalhadora se organiza e luta, consegue mudar a realidade.

E fica um sonho. O sonho de uma sociedade onde todos os trabalhadores assumam plenamente a sua condição de classe e a força que possuem quando atuam unidos. Nesse dia, a correlação de forças no trabalho e na vida mudará profundamente.

Hoje celebramos. Amanhã continuaremos a lutar.

Porque os trabalhadores provaram, mais uma vez, que quando tomam nas suas mãos a defesa dos seus interesses, não há governo, patrão ou pacote laboral que resista.

CATRAPUM! O pacote caiu. Viva a luta dos trabalhadores!

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