Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Conquistar Abril (II)

Se é verdade que o tema se não esgota numa crónica, a polémica que antecedeu a celebração do 25 de Abril deste ano justifica mais uma reflexão quanto à necessidade de continuarmos a “Conquistar Abril”. Parece cíclico ter que se explicar por que tem todo o sentido celebrar o 25 de Abril. Aliás, o Presidente […]

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Se é verdade que o tema se não esgota numa crónica, a polémica que antecedeu a celebração do 25 de Abril deste ano justifica mais uma reflexão quanto à necessidade de continuarmos a “Conquistar Abril”. Parece cíclico ter que se explicar por que tem todo o sentido celebrar o 25 de Abril. Aliás, o Presidente da República, no seu brilhante discurso, equiparou esta efeméride, e muito ajustadamente, à celebração do 10 de Junho, do 1º de Dezembro e do 5 de Outubro. Para que os céticos – ou serão mal-intencionados? – deixem de atacar a celebração do Dia da Liberdade, uma conquista de alguns em benefício de todos, mesmo dos que se aproveitam dela para falar mal dos que por ela lutaram, estiveram presos, foram deportados ou exilados.

Há um punhado de anos, neste mesmo jornal, deixei uma reflexão com a epígrafe “A democracia também precisa dos seus ritos” e explicitei o meu pensamento valendo-me da interpretação que o antropólogo Mesquitela Lima atribui a este conceito na sua “Introdução à Antropologia Cultural” – cerimónia que tem também uma função social, pois “constitui a reafirmação periódica de um evento, como elemento aglutinador” da própria sociedade. Claro que há quem não tenha interesse em valorizar as nossas marcas identitárias, elas próprias fatores de união e mobilizadoras de todos na superação das nossas debilidades e fraquezas, que nos tornaram o povo europeu, o país independente mais estável, com quase um milénio de História.

Todos somos sensíveis ao contexto da celebração de cada ano. Recordo certa vez em que, com a sofreguidão de mudar o figurino, democratizando-o, dizia-se, se optou por um outro local – a Torre de Belém. Foi quase um fiasco. Mas não se entende que haja quem apelide de “barbaridade” a celebração da reconquista da democracia, ou, ainda, quem deseje que o Palácio de São Bento se torne numa “câmara de gás”, ou até quem, argumentando ter dificuldade em explicar à filha a opção da maioria parlamentar, use palavras que não sou capaz de transcrever, para classificar a deliberação da Assembleia. Afinal, foi tão simples compreender o que se pretendia! Quero crer que todos os que assistiram pela televisão à Sessão Solene que teve lugar no Parlamento apreenderam bem que, afinal, não se trata de uma festa mas de uma celebração e que a democracia não se suspende, não pode suspender-se. A polémica dá razão à expressão “Conquistar Abril”. Os democratas devem mesmo manter-se atentos.

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