Nascido na Vila Velha e crescido no BSVPaulo, tenho orgulho em me afirmar como “Constantinense de coração”, desde que em 2002, em Constantim comprei casa e passei a viver com a família! Ou seja, em princípio, o assunto da reunião não me dizia diretamente respeito — ou assim pensava eu — pois aqui não tenho quaisquer terrenos. No entanto, porque algumas das coisas que me transmitiu quem lá esteve levaram-me a refletir sobre o assunto, arrependi-me por não ter estado presente. Passo a explicar.
A ser verdade que os terrenos para construção em Constantim vão passar a ser “pouco mais do que nenhuns”, e os que onde vai ser possível construir estão “estrategicamente” localizados, importa saber o que se pretende, realmente, para Constantim e as suas gentes.
Para quem não sabe, Constantim — com carta de foral dada por D. Henrique em 1096, e onde se realizava uma das maiores e mais importantes feiras de todo o norte de Portugal — foi cabeça das Terras de Panóias, cujos habitantes passaram a regular-se pelo padrão de medidas, pesos e moeda corrente daquele burgo. Dispunha de juiz eleito pelo povo! Mas, a política de reorganização do poder local, realizada em 1293, fê-la perder os privilégios, em favor de Vila Real.
Ao longo dos tempos, Constantim e as suas gentes têm sido espoliadas dos seus inúmeros terrenos agrícolas e outros, para a implantação da Zona Industrial, a construção do Centro de Formação do IEFP, das instalações do Régia Douro Park, do Centro Escolar do Douro, para a passagem da A4 e da A24, com os respetivos acessos, etc. E que benefícios as gentes de Constantim têm retirado daí?
Proibindo ou reduzindo drasticamente as áreas onde vai ser possível a construção de novas habitações, é certo que Constantim vai começar a definhar. A nossa aldeia, com acessos ao mundo de que poucos se podem gabar: A4 e A24 a 1 min, UTAD a 3 min, CHTMAD a 8 min, centro da cidade de Vila Real a 5 min, vai ficar mais desabitada. É esta uma possível “solução para” combater a desertificação do “interior” do Interior (eufemisticamente designado por “territórios de baixa densidade)?
Trabalhadores das inúmeras empresas instaladas na Zona Industrial, que, facilmente, poderiam deslocar-se a pé – pensemos no meio ambiente – para as suas residências (se lá os deixassem construir) não ficariam satisfeitos por residirem em Constantim? É que aqui a qualidade de vida é muito boa, no mínimo! Mas, não. Querem obrigar os jovens casais a saírem da “aldeia” (onde podem viver bem!), para passarem a morar na cidade, que começa a rebentar pelas costuras.
É certo que “O Planeamento faz-se com as pessoas e para as pessoas” (Eng. Adriano Sousa), mas tendo sempre em atenção os seus legítimos interesses e anseios.
Numa próxima iniciativa do género, melhor será disponibilizarem o GA do Teatro de Vila Real, pois, agora, mais avisados, os fregueses de Constantim não deixarão de dizer “Presente!” para defenderem os seus legítimos interesses. E nem vai ser preciso “tocar o sino a rebate”, disse.




