Quarta-feira, 6 de Julho de 2022
José Pinto
José Pinto
Técnico Superior de Educação na Câmara Municipal de Vila Real

“Entre a ponte e o rio está a Misericórdia de Deus”

Ao lermos, nos Evangelhos, sobre a crucifixão de Jesus, verificamos que Ele não morreu sozinho. Quantos foram crucificados com Jesus, não o sabemos. Terão sido, pelo menos, dois.

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Mateus diz que “Até os salteadores, que estavam com Ele crucificados, o insultavam”. (Mt 27, 44). Marcos escreve: “Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam”. (Mc 15, 32). Lucas parece apontar para dois malfeitores crucificados com Jesus, quando escreve “Ora, um dos malfeitores que tinha sido crucificado insultava-O… Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o”. (Lc 23, 40). João é o único que indica o número: “… onde o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio”. (Jo 19, 18).

S. Lucas descreve a troca de palavras entre os três crucificados: os insultos do “mau ladrão”, a repreensão que lhe dá o “bom ladrão”, a súplica deste a Jesus, e a resposta que Ele lhe dá: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”. 

Depois de responder ao pedido que lhe tinha sido feito pelo crucificado ao seu lado direito, Jesus voltou o Seu rosto para o lado esquerdo, e os Seus olhos encontraram e tocaram os olhos daquele que ainda há pouco O insultava com palavras injustas e cruéis. 

E Jesus olhou-o de tal forma, com um carinho inefável, que o coração daquele homem, fechado e feito pedra pelas agruras da vida, começou a abrir brechas e a deixar-se invadir pelo Amor do Divino Mestre. De tal modo que, com o coração adoçado pelo olhar amoroso de Jesus, aquele malfeitor, “o mau ladrão”, começou a chorar. E cada lágrima mais não era do que a expressão sentida do seu arrependimento sincero por cada maldade praticada desde que se lembrava.

Cada vez lhe custava mais respirar, e já não tinha forças para dizer o que quer que fosse. E foi apenas com o olhar que suplicou a Jesus para que também se lembrasse dele quando estivesse no “Seu Reino”. E Jesus, apesar das suas dores indescritíveis, terá sorrido, e, também apenas com o olhar, ter-lhe-á assegurado: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”.

S. João Maria Vianney, Cura d’Ars, disse a uma viúva, cujo esposo se tinha suicidado, atirando-se duma ponte para o rio: “Senhora, entre a ponte e o rio está a misericórdia de Deus”. 

Ou seja, até ao último milionésimo de segundo antes da morte, a salvação é sempre possível! E não há pecado que Deus não possa perdoar, desde que ao encontro do seu Amor Misericordioso vá um coração verdadeiramente arrependido!

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