Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Contas certas serão ainda mais certas se solidárias

Não é difícil aceitar a argumentação dos governantes quando nos afirmam que há todo o interesse em apresentar perante as instituições internacionais dados irrefutáveis quanto à situação financeira do país, nomeadamente, no que respeita à redução do défice e diminuição da dívida pública.

-PUB-

As mais recentes classificações das agências de notação financeira da dívida pública nacional são excelentes testemunhos da bondade desta opção. O esforço para atingir esses objetivos deve ser de todos e proporcional à capacidade de todos, indivíduos e empresas.

Há uns anos, o Governo, indo mesmo além das exigências da troika, achou por bem impor aos cidadãos, em geral, um autêntico garrote. Foram os cortes no subsídio de férias e de Natal; o aumento nos transportes públicos; o aumento de impostos – IVA – no gás e na eletricidade de 6% para 23%; o aumento dos impostos sobre veículos e sobre imóveis; aumento do preço da eletricidade, mais que uma vez; corte nos salários de 3,5% e 10%; diminuição da taxa de dedução no IRS das despesas de saúde e de habitação. Como facilmente se constata, foram sobretudo os cidadãos, enquanto trabalhadores, pensionistas e contribuintes que sofreram de maneira mais dura as consequências dessas políticas que o Ministro das Finanças de então classificou como “enorme aumento de impostos”. Exigiu-se aos cidadãos o maior esforço para solucionar os problemas. Uma das taxas foi apelidada de “contribuição extraordinária de solidariedade”. Na verdade, tratava-se de um esbulho a quem já era solidário através dos impostos.

Não se estranha que, na atual conjuntura, com a inflação a subir e com o aumento da energia a ultrapassar tudo o que seria razoável, dando, aliás, motivo para que certas empresas aumentassem o preço dos produtos ou serviços, se fale em aplicar uma taxa excecional às empresas que mais lucros obtiveram com a situação que se vive, no momento, na União Europeia. Será um importante sinal político, sem dúvida. Mas trata-se de maior equidade. Como referiu Ursula Von der Leyen no debate do Estado da União Europeia, “na nossa economia social de mercado, o lucro é algo positivo, mas nos tempos que vivemos, não é correto embolsar lucros extraordinários e sem precedentes em função da guerra e à custa dos consumidores. É o momento de partilhar estas receitas e canalizá-las para quem mais precisa”. Propõe-se que as empresas cooperem neste esforço coletivo, tornando as contas certas mais solidárias.

Mais Lidas

ASAE encerra dois bares em Chaves 

Mulher detida por tráfico de droga

PSP deteve seis indivíduos

Empate foi “mal menor” para o Bila

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.