Quinta-feira, 19 de Maio de 2022
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

É Preciso Ler Livros

Não fiquei surpreendido quando li a notícia do Expresso, informando que, segundo um inquérito conduzido pela Fundação Gulbenkian e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 61% dos portugueses não leram um único livro durante o ano.

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44Sempre tive a impressão que somos um povo que lê pouco, persistindo aquela ideia com forte enraizamento cultural que ler livros é para ociosos afetados, extravagantes candidatos ao pedantismo, e que é uma completa perda de tempo. Os livros e a leitura são perfeitamente dispensáveis, quem se dedica a trabalhos sérios não quer saber de livros. O importante é a escola da vida, os livros são ficção prescindível. É esta atmosfera cultural que ainda nos mantém divorciados da leitura e preconceituosos para com os livros. Mas não só, claro. Ainda temos razoáveis níveis de analfabetismo. A internet, a televisão e a imprensa vieram ocupar muito tempo às pessoas, são mais frescas e exigem menos esforço, privilegia-se, hoje, mais a leitura de conteúdos instantâneos e concisos, o debate e partilha de ideias nas redes sociais, a vida apressada e ocupada deixa pouco tempo para a reflexão e o silêncio, fundamentais para a leitura. Já se fala até de estarmos num tempo pós-literário. Já quanto ao argumento de que os baixos rendimentos desfavorecem a leitura e a compra de livros é discutível, porque temos hoje uma boa rede de bibliotecas públicas, onde se podem ler e alugar livros. Portanto, não faltam livros para ler e só não lê quem não quer. 

Não escondo que gosto de ler e sou apaixonado por livros. Gostaria que mais portugueses partilhassem desse douto prazer, em vez de perderem muito tempo só a ver jogos de futebol, novelas, as parangonas dos jornais, e programas de televisão onde abunda a mediocridade. Ler e escrever é do mais estruturante para o ser humano. A escritora Lídia Jorge dizia aqui há uns tempos: “a literatura é a arte mais densa de todas, a mais exigente de todas. Está a acontecer uma perda de leitores e de literatura, que encaminha as sociedades para um estado de selvajaria, porque é na literatura, na leitura, que se aprende a criar valores, porque a leitura vem ao encontro da necessidade que temos de exercitar um cérebro lento, um cérebro onde é possível evitarmos o correr do tempo, minuto a minuto, e entrarmos num tempo subjetivo, onde é possível fazer comparações, tirar ilações, e isso é lento, muito lento, a arte que faz isso melhor é a literatura”. 

Ler também nos salva e humaniza.

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