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Empresário apresenta solução para excedentes no Douro

O estudo “não impõe nada a ninguém, só adere quem quiser e não tem encargos para o Estado”

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Numa altura em que o Douro vive uma crise sem precedentes, que se agudizou nesta vindima, onde muitos viticultores não tiveram a quem vender as uvas e enfrentam quebras sucessivas no seu rendimento, o empresário Carlos Alonso, que se dedica há mais de 40 anos à viticultura, decidiu apresentar um estudo que denominou “Solução Douro”.

O estudo pretende “resolver” três situações: os excedentes de vinho, a falta de rendimento e a falta de mão de obra.

Ao nível dos excedentes, Carlos Alonso explica que a solução passa pelo “arranque de vinha” com realocação dos direitos de benefício a outras vinhas já existentes, através da sobreposição de licenças. “O arranque e a realocação é dentro da própria exploração. Temos de produzir menos e para isso há que eliminar alguma área de vinha. É uma medida radical, mas necessária”, admite, dando como exemplo outras zonas de produção de vinho, que “já andam a arrancar vinha”. “É preciso arrancar 10 mil hectares na Região Demarcada do Douro (RDD), que tem 44 mil hectares de vinha. Não compensa produzir vinho de mesa no Douro, porque o preço de venda é muito baixo, o custo da mão de obra elevado e não dá para competir com outras regiões onde os custos são muito mais baixos”.

“Não compensa produzir vinho de mesa no Douro, porque o preço de venda é muito baixo, o custo da mão de obra elevado”

LICENÇAS

Uma das ideias passa pela possibilidade de reverter a sobreposição da licença, caso as condições na RDD mudem e o viticultor assim o pretenda. Há ainda a possibilidade de um arrendatário poder fazer a realocação de direitos em parcelas que explore.

“Aquilo que proponho é que as licenças das vinhas a arrancar venham a sobrepor esse direito e esse benefício nas vinhas já existentes”, refere, lembrando que, há 30 anos, o benefício (quantidade de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de vinho do Porto) era de seis pipas por hectare, “hoje não chega a três pipas”.

Carlos Alonso explica que se houvesse a possibilidade de realocar a licença ou direito ao benefício sobre uma vinha já existente, “eu proponho que essa sobreposição fosse limitada a 100%, ou seja, num hectare sobrepor outro hectare com direito a benefício”.

A proposta assenta em três situações, uma delas que o próprio viticultor, que abdica de parte da sua área de vinha, arranca as parcelas que ele tem mais distantes, com acessos mais difíceis e sobrepunha esses direitos nas outras parcelas que quisesse manter. “Nesse caso, o viticultor não faz nenhum investimento. Abdica de uma parte da área e mantém, religiosamente, o mesmo direito ao benefício, o que reduziria significativamente os encargos”.

Outra possibilidade, em que aumentaria o rendimento da exploração, terá de existir investimento na aquisição de licenças. “Há viticultores a desistir da agricultura, mas como têm afeto à terra e não a querem vender, podem apenas vender as licenças, que não seriam para plantações novas, que só viriam agravar o problema dos excedentes. Essa licença era realocada numa vinha já existente, não prejudicando ninguém”, sublinhou.

Quem investir “vai aumentar significativamente o seu rendimento por hectare, ao comprar a licença que se vai sobrepor às vinhas que já tem. Já aquele que não fizer nenhum investimento, nem arranque vinha, acaba também por ser beneficiado, com a diminuição dos excedentes”.

SEM CUSTOS PARA O ESTADO

O vitivinicultor acrescenta que esta proposta não impõe nada a ninguém. “Só adere quem quiser e não há qualquer encargo para o Estado”. Além disso, “beneficiará os aderentes e, em consequência, os passivos aquando da redução de excedentes”.

“É muito importante fazer alguma coisa, temos que começar por algum lado, porque se nada mudar, o Douro vai morrer, já que desta forma é insustentável”.

O estudo já foi enviado a várias pessoas com responsabilidade no Douro e também foi dado a conhecer a alguns membros do novo conselho regional da Casa do Douro, que tomam posse na próxima segunda-feira.

 

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