Também na economia existem zombies. Caracteriza-se como empresas “zombie”, empresas que sejam improdutivas e inviáveis. Estas empresas zombie têm vindo a aumentar em todo o mundo, especialmente desde a crise financeira global. Após um declínio temporário na “zombificação”, entre 2016 e 2019, a tendência ascendente foi retomada durante a pandemia de Covid-19, na sequência dos apoios e estímulos concedidos pelos Estados durante esse período. Esta é uma das conclusões do estudo “The Rise of the Walking Dead: Zombie Firms Around the World”, dos economistas Bruno Albuquerque e Roshan Iyer do FMI, que utiliza uma definição de empresas “zombie” baseada nas dificuldades financeiras e indicadores de rendibilidade.
Em Portugal, o crescimento do número de empresas zombie foi ainda mais acentuado. Em 2005, apenas 2,3% das empresas cotadas em bolsa se enquadravam nesta definição, sendo que, em 2021, essa percentagem já era de 17,1%. Entre os países europeus analisados, Portugal é mesmo o 2.º país com maior percentagem de empresas “zombie” entre as suas empresas cotadas, apenas superado pela Eslovénia.
De forma resumida, o aumento da “zombificação” das economias está associado a importantes trade-offs para os decisores políticos. Por um lado, o apoio público pode ser importante para reduzir as insolvências a curto prazo e conter o colapso da procura agregada durante períodos de grandes choques financeiros, mas, por outro lado, um apoio político não direcionado, combinado com medidas macro prudenciais e de supervisão pouco rigorosas e quadros de insolvência deficientes, pode atrasar a necessária “destruição criativa”, com consequências negativas para o crescimento da produtividade a longo prazo.
A existência de um grande número de empresas “zombie” gera um impacto para as empresas “não zombie”, que operam no mesmo setor e país. Em consonância com a literatura, o estudo verifica que as empresas “não zombies” em setores com um maior número de empresas “zombies” tendem a registar um menor crescimento da produtividade, do investimento e do emprego. A oferta de crédito a empresas “não zombies”, que concorrem com empresas “zombies” é reduzida e, além disso, as empresas “não zombies” tendem a sair do mercado a um ritmo mais rápido, e as taxas de entrada são mais baixas.
Quem diria que a melhoria da saúde da nossa economia depende da redução da “zombificação” no tecido empresarial e num menor contágio para as empresas “não zombie”?




