Em 1913 foi fundada a primeira associação escotista portuguesa, a AEP Escoteiros de Portugal. Nessa altura, para evitar o estrangeirismo “boy-scouts”, adotaram uma palavra já existente na língua portuguesa, com um significado semelhante ao ‘scout’ saxónico: escoteiro.
Em 1923, a Igreja Católica idealizou outra associação escotista, com caráter confessional, destinada exclusivamente a jovens que professavam a religião Católica. Assim nasceu o “Corpo de Scouts Católicos Portugueses”, mais tarde “Corpo Nacional de Scouts”. Por inspiração no escotismo católico francês, a expressão “scout” era pronunciada à maneira francesa: “secúte”. Escolheram então o termo “escuta”, dando origem ao “Corpo Nacional de Escutas”.
Ficaram então as duas palavras em uso, sem qualquer motivo especial para considerar uma mais correta do que a outra. Entre os membros do movimento escotista em Portugal, a distinção escoteiro ou escuteiro permite também distinguir o nível da abertura ao exterior. Enquanto a Associação de Escoteiros de Portugal (de cariz interconfessional) está aberta a todos, o Corpo Nacional de Escutas (de cariz católico e estruturado numa relação direta com as dioceses) é exclusivo a jovens católicos.
A mudança duma letra não é um capricho de antiguidade da AEP, nem uma evidência de modernidade do CNE. Os escoteiros consideram-se irmãos entre si e os valores da fraternidade escotista estão muito acima de meros preciosismos etimológicos. Pelo contrário, os escoteiros até consideram vantajosa a existência das duas grafias, pois assim se torna muito mais fácil identificar a que associação pertence o adepto dos ideais de Baden-Powell.