Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
José Pinto
José Pinto
Técnico Superior de Educação

Eu também sou candidato!

Vivemos um tempo em que parece que as pessoas fogem, cada vez mais, dos compromissos (particularmente daqueles a longo prazo, que exigem persistência, empenho, tolerância e espírito de sacrifício); em que evitam as palavras claras [“Sim. Sim. Não. Não.” (Mt.5, 37)], antes preferindo o “nim”, o “talvez” ou expressões mais ou menos dúbias. Este também […]

Vivemos um tempo em que parece que as pessoas fogem, cada vez mais, dos compromissos (particularmente daqueles a longo prazo, que exigem persistência, empenho, tolerância e espírito de sacrifício); em que evitam as palavras claras [“Sim. Sim. Não. Não.” (Mt.5, 37)], antes preferindo o “nim”, o “talvez” ou expressões mais ou menos dúbias. Este também parece ser um tempo cada vez mais de “modas”, passageiras ou efémeras, do que de valores perenes, que dão sabor à vida e suportam uma vontade, ainda que muitas vezes contra a corrente!

Este é um tempo do “politicamente correto”, de propostas “fraturantes” (seja lá o que isso for!), mas, também, de conversas estagnadas, estéreis, que nenhuma melhoria trazem às pessoas, antes envenenam o ambiente familiar e sócio-comunitário. Este parece ser um tempo do “salve-se quem puder”, do “usar e deitar fora”, das pessoas descartáveis, de pura recusa ou intolerância ao sofrimento, de cada um se servir e de não servir!

Mas também é um tempo, e porque estamos em período de campanha eleitoral, em que algumas pessoas decidem comprometer-se em apresentar e defender ideias e projetos, em benefício das respetivas comunidades. Bom seria que apenas isso fosse – amplamente – discutido, no quadro da legalidade democrática!

Quando, num bendito e longínquo Domingo do Outono de 1962, os meus pais me levaram, pela primeira vez, à igreja de S. Domingos, começaram, conforme o previsto no Ritual próprio, por pedir à Igreja que eu fosse batizado.

-PUB-

Iniciava, aí, e sem ter consciência de tal, uma caminhada pessoal, familiar e comunitária que, não estando pré-definida, tinha já uma meta proposta por Deus: a santidade! “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1, 16). “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Tes 4, 3).

Não a santidade dos atos heroicos, que pode levar aos altares e à veneração dos fiéis, mas a santidade anónima, que muito agrada a Deus, e que pode ser obtida pelo cumprimento dos nossos deveres quotidianos, rotineiros, desde que feitos com amor. De sermos capazes de chorar com os que choram e de rir com os que riem, não numa atitude de “Maria-vai-com-as-outras”, mas de expressão de uma verdadeira comunhão com os que vivem ao nosso lado, numa fraternidade viva e operante. A santidade que resulta de, como tem dito o Papa Francisco, sermos capazes de ir para as periferias (geográficas e não só…) e de sujar as mãos para aliviar a fome, a sede, a nudez, a doença, a prisão de tantos e tantos que sofrem. “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.” (Mt. 25, 40).

Mas eu sei que não posso alcançar a santidade apenas por mim, pelas eventuais minhas boas obras, sem ter comigo a graça de Deus, que me ilumina e fortalece, e que me dá ânimo para não desistir perante as dificuldades que surgem. A graça de Deus que me ajuda a conformar a minha vida a Jesus Cristo, de modo a que, como S. Paulo, eu possa dizer: “Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gal. 2, 20)

Apesar de tudo, e embora indigno, eu também sou candidato… à santidade! 

E tu? Aceitas este desafio de também querer ser santo(a)? Aceitas comprometer-te?

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