Depois da apresentação e entrega de lembranças aos grupos presentes, foi a vez de subir ao palco, com os bailarinos a marcar o passo da música tradicional, devidamente trajados com roupa e calçado de outros tempos.
Vestida com um traje de “pobre”, Helena Santos, de 67 anos, lembra que as “gentes de Trás-os-Montes eram pobres, não tinham grandes bens, trabalhavam na agricultura e tinha algum gado”.
Em palco começou por “vender soquinhos e chancas” para os meninos não andarem descalços. “Espero vender alguma coisa nesta noite”, diz entre sorrisos.
Maria Mendes, 17 anos, entrou no palco para vender limonada e depois dançar. “Trago um traje de trabalho”, refere, adiantando que entrou no Cantaréu há três anos. “Há muito tempo que procurava uma atividade em que pudesse honrar a nossa cultural e acabei por conhecer esta associação, que me deu esta oportunidade”.
Já Guilherme Rebelo, 10 anos, veio por influência da mãe. “Eu danço bem e gosto destas tradições. Danço com a minha irmã Francisca e gosto deste convívio com todos”.
Cristina Proença, responsável pelo Cantaréu, lembra que este é já um festival de referência. “Este ano fazemos 32 anos e esta é a trigésima edição, umas vezes em formato nacional outras internacional, mas sempre com muito rigor na escolha dos grupos, do palco, do som ou da luz, para levar o melhor a quem vem assistir”.
O festival pretende sobretudo celebrar a tradição e o folclore, que continua a ser a marca de um povo. E para quem pensa que estas práticas são cada vez mais raras, Cristina Proença lembra que o Cantaréu “está bem, recomenda-se e tem muitos jovens. “Somos 40 elementos e há cerca de quatro anos tivemos um boom de jovens a aderir. Foi na altura da Covid-19 em que não paramos, em que tivemos de optar pelo formato digital e correu bastante bem, mesmo o festival, onde não faltaram as lembranças”.
A mesma responsável lembra que quando começaram, há 30 anos, praticamente não tínhamos ninguém a assistir. Mas as pessoas foram-se apercebendo do nosso trabalho, feito com muita seriedade, e começaram a aderir em força”.
Mara Minhava, vereadora da cultura na Câmara de Vila Real, felicitou o Cantaréu, que tem mantido esta tradição de promover o folclore. “É uma tradição que faz parte da nossa identidade e convém que não se perca. E este encontro promove isso mesmo, as danças e as músicas tradicionais, que devemos manter vivas na nossa memória coletiva”.
Foram muitas as pessoas que assistiram ao festival, que teve como grupos convidados o Rancho de São Mamede de Negrelos (Santo Tirso), o Grupo Etnográfico de Corticeiro de Cima (Cantanhede) e o Rancho Etnográfico de Santa Maria de Touguinha.






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