Sábado, 31 de Julho de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Há europeus que não gostam da União Europeia

Não é que as nossas televisões e rádios lhe tenham dado muita atenção. 

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Construíram-se primeiras páginas das televisões e das rádios, incluindo as que têm obrigação de dedicar especial atenção ao serviço público, à volta de um antigo treinador do Benfica e de uma apresentadora de programas televisivos. Sabe-se lá porquê, a reunião do Conselho de Chefes de Estado e Primeiros-Ministros da União Europeia foi passando para segundo ou terceiro plano. Quase não nos apercebemos do que está em jogo numa Cimeira que tem vindo a ser preparada há algumas semanas/meses para se encontrar uma resposta mais consentânea com as exigências decorrentes da pandemia provocada pelo Coronavirus-19, uma resposta robusta, que pense a Europa como uma União. Até parece que já nos esquecemos dos problemas de 2011-2015. Valham-nos, pois, alguns jornais estrangeiros com informações atualizadas nas suas edições on line.

Isto de ouvirmos um Primeiro-Ministro da Holanda afirmar que os países do sul deviam fazer reformas e ser escrutinados na aplicação dos fundos comunitários pelos governos dos países que se dizem “frugrais”, só pode desencadear um movimento de antipatia e revolta. Reformas? Mas que reformas? Acabar com as medidas de proteção social, com o serviço de saúde que proteja os que têm menos recursos para contratar seguros de saúde, deixar que as relações laborais fiquem ainda mais desreguladas, permitindo que impere a precariedade? Governantes de certo espectro partidário, quando falam de reformas é isso que pretendem. E se a Holanda deixasse de sugar impostos de empresas de outros Estados-membros? Seria uma boa reforma.

António Costa foi muito claro quando se referiu ao impasse que persistia domingo. Há quem queira que a Europa reforce a União, mas ainda há quem persista em só desejar o Mercado e a Moeda Única e outros, bem mais distantes, ainda se mostram nostálgicos do Mercado Comum. E afinal já tantos passos se deram desde esse tempo! A crise que vivemos não é dos países do sul, nem do norte, é de todos. Não se iniciou como crise financeira, mas como crise sanitária. E pode tornar-se numa grave crise económica. Nem todos a encararam da mesma maneira. Houve países que deram mais atenção à saúde; outros à economia; outros tentaram um equilíbrio entre as duas. Em qualquer caso é um problema comum; a Europa só terá a ganhar se a enfrentar em conjunto, como um todo, como verdadeira União Europeia.

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