História de uma banda que remonta ao tempo dos reis

Ainda em comemorações da bonita idade de 250 anos, assinalada no passado mês de junho, é com orgulho que a Banda Musical do Pontido se categoriza uma grande família de diferentes gerações mas com igual gosto pela música e pela região transmontana.

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A história remonta ao longínquo ano de 1765, quando o grupo era apenas constituído por 13 músicos. Diz-se que a sua fundação se deve a dois religiosos, que terão vindo viver naquela aldeia. Os anos que se seguiram ficaram marcados por várias dificuldades e alterações, mas foi graças à dedicação e ao árduo trabalho dos que por lá passaram que os bons momentos regressaram, sendo atualmente considerada umas das filarmónicas mais antigas de Portugal.

Nos dias de hoje, miúdos e graúdos perfazem os 56 elementos, de ambos os géneros, que dão música em Pontido, tendo o mais novo e o mais velho, 10 e 51 anos, respetivamente. Em tom de curiosidade, salienta-se que os primeiros elementos do sexo feminino entraram no ano de 1990.

Única no concelho de Vila Pouca de Aguiar, a banda chegou a atuar para o Rei D. Carlos, no dia 14 de julho de 1907, em Pedras Salgadas, aquando da inauguração do troço da linha férrea entre Vila Real e aquela localidade. É na aldeia de Pontido que realizam diversas atividades, onde se destacam as atuações nas festividades e romanias tradicionais para as quais são regularmente convidados. A lista de concertos não fica por aqui, podendo-se destacar a participação no Concurso Internacional de Bandas, em Vila Franca de Xira, e ainda inúmeras apresentações em encontros realizados em algumas das principais cidades de Trás-os-Montes, nomeadamente Vila Real, Chaves, Valpaços e Torre de Moncorvo.

É desta forma que Hugo Pinto, presidente da direção da Banda Musical do Pontido, refere que um dos objetivos do grupo, para além de “ocupar de forma saudável os tempos livres dos jovens”, é “promover a cultura no distrito de Vila Real, principalmente no concelho de Vila Pouca de Aguiar, enquanto oferece a possibilidade de aprendizagem e execução de música a todos que o pretendam”. “Pertencer a uma banda filarmónica é pertencer a um grupo onde todos trabalham para o mesmo objetivo: divulgar a música, promover o convívio entre todos os associados e interagir com o público”, acrescentou o responsável.

Os ensaios ocorrem semanalmente na Casa da Música do Pontido, que também funciona como escola, estando a direção pedagógica a cargo do Maestro Aniceto Alves, desde finais de 2014. O ensino é vocacionado para a introdução da música e do contexto da filarmonia aos jovens e está dividido em três disciplinas: Formação Musical, Instrumento (aula individual) e Classe Conjunto. Quanto aos instrumentos, um aluno pode optar por aprender flauta transversal, clarinete, saxofone, trompete, trombone, trompa, bombardino, tuba e percussão, ou seja, todos estes instrumentos que constituem a filarmónica. “Quando se atingem os objetivos definidos é atribuído o instrumento de acordo com a aptidão do aluno e com as necessidades da banda. Alcançados os requisitos mínimos no manejo do instrumento, é altura de se inserir nos ensaios, receber a farda e integrar a banda”, explicou Hugo Pinto, acrescentando que atualmente a escola soma 30 alunos e 8 professores.

Como já não é novidade, a vida de músico não é fácil. Neste caso, o que aflige a Banda Musical do Pontido é manter os músicos no grupo durante mais alguns anos. A incapacidade da região para fixar os jovens, a falta de empregos suficientes para os músicos e até as idas dos jovens para a universidade torna a situação complicada. A acrescentar estão também os elevados custos com a aquisição e reparação de instrumentos, das fardas e do transporte. “É preciso bastante espírito de sacrifício. A maior parte dos serviços começam bastante cedo, as arruadas e procissões, por vezes, com vários quilómetros, são no horário de maior calor e com concertos a terminar muito tarde. Mas tudo isto só é possível graças à enorme camaradagem e espírito de equipa não só da banda mas de todos os presentes”, contou o diretor.

Para continuar o bom trabalho, o próximo passo é “continuar a investir na formação, encontrar parceiros competentes nesta área e promover a cultura da região, não menosprezando o convívio e a ocupação saudável dos tempos livres, tentando fazer sempre o melhor”.

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