Foi pelas mãos de Maria Fernanda, minhota e a mais velha de sete irmãs, e falecida em 2018, que surgiu o tão afamado prato. Foi em 1947 que a cozinheira abriu o Chaxoila, onde chegam pessoas “de todo o lado” para provar as tripas.
Maria José trabalha aqui há 18 anos. Foi ajudante de cozinha e, atualmente, é uma das proprietárias. “Foi aqui que as tripas aos molhos foram criadas. Faziam as tripas à portuguesa e não sabiam o que fazer ao bucho, até que essa senhora meteu mãos à massa, como se costuma dizer, e criou as tripas aos molhos”, explica, levantando o véu sobre alguns dos segredos desta iguaria.
“Lava-se com água, limão e sal. Depois põe-se presunto, salsa e aperta-se. Faz-se uma grande cebolada, fica a estufar durante toda a tarde e a descansar, durante a noite. É um processo demorado”, confessa, admitindo que “faz-se tal e qual o original. Não mudámos nada, mas não posso contar os segredos todos”.
Este é um prato “muito procurado e vem gente de todo o lado para o comer”, afirma. “Seja verão ou inverno”, frisa.
E nem o aumento do preço por molho afasta os clientes. “Aumentámos o preço do molho para cinco euros, mas acho que se fosse para seis euros vendíamos na mesma”, afirma, indicando que “há pessoas que comem três e quatro”.
Além das tripas, no Chaxoila há também “grão de bico com mãozinha de vitela, tripas à portuguesa, fralda assada no forno, posta e naco à maronesa, polvo, bacalhau”, salienta Maria José, dando conta de outros pratos, introduzidos pela jovem cozinheira Catarina Teixeira, que se juntou à equipa há um ano.
“Há 12 anos fiz aqui o meu estágio profissional, fiquei amiga da família e há um ano surgiu a oportunidade de vir trabalhar para aqui”, conta.
A ementa do Chaxoila conta, agora, com pratos da sua autoria, inspirados na gastronomia da Índia, país onde viveu quase cinco anos. “Eu estive em Goa e algumas coisas são inspiradas na gastronomia portuguesa”, afirma, revelando que “começámos a fazer o sarapatel, que são miúdos de porco com especiarias, um prato que se consome no Alentejo, há também o vindaloo, que é uma técnica que os marinheiros usavam para conservar as carnes em alto mar, através do vinha d´ alhos e vinagre, e também costumamos fazer caril de tamboril”.
São pratos mais fora do normal, mas que “têm tido boa recetividade por parte dos clientes. A gastronomia indiana usa muitas especiarias e pensei que as pessoas não fossem gostar muito, mas a verdade é que gostam, sobretudo do picante”, confessa a jovem cozinheira.
À semelhança das mudanças verificadas em Vila Real, desde que foi elevada a cidade, há 100 anos, também a Casa de Pasto Chaxoila tem vindo a adaptar-se aos novos tempos, seja nos pratos que apresenta, seja nas instalações, que estão bem diferentes das de há 78 anos, quando tudo começou, já lá vão três “proprietários”.





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