Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

(I)mobilidade

O Alto Tâmega é a comunidade intermunicipal do país com piores ligações de transportes coletivos de passageiros ao resto do país.

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Ao contrário de todas as outras regiões, o Alto Tâmega não tem qualquer ligação por meio aéreo e ferroviário, estando sujeito à oferta de um único operador de autocarros expressos.
Chaves, como capital do Alto Tâmega tem uma responsabilidade acrescida em alterar esta situação.

No entanto, entre poças de água e utopias disparatadas, Chaves continua a navegar à vista, com uma liderança que anda ao sabor do vento, a correr atrás do prejuízo e a publicitar vedações e gravilhas de cemitérios, que nem obras do município são.
Numa altura em que a bazuca europeia aparece para garantir que sejam executados os grandes investimentos estruturais nacionais, parece que, mais uma vez, ficaremos para trás.

Nos transportes aéreos Chaves tem um aeródromo sem rumo. O município não consegue dinamizar a infraestrutura e nem quando os voos comerciais da linha regional foram suspensos durante dois anos em Vila Real, Chaves foi a alternativa necessária.
Nos transportes ferroviários, apesar da intenção governamental de estender a rede ferroviária a todos os municípios com mais de 20 mil habitantes, parece que Trás-os-Montes ficará excluída.

Não é surpresa que Chaves seja um dos municípios que o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, acusou de os autarcas não darem “corda aos sapatos”.

O sr. Presidente da Câmara, mais uma vez, em vez de com os pés assentes no chão juntar a sua voz aos deputados do distrito da oposição, e às declarações do especialista Daniel Conde, que defendeu “a reposição do caminho de ferro para Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Chaves, que permite também a criação ou manutenção de postos de trabalho diretos e indiretos”, preferiu o show-off e veio defender não a linha do Corgo, mas uma ligação entre o Minho e a Galiza através de Chaves!

Portugal, neste momento, tem 2 pontos de ligação ferroviária fronteiriça ativas a Espanha (Beira Alta e Minho), o resto foi tudo desativado. Criar uma nova, de raiz, a ligar Guimarães à A Gudina é de quem não tem os pés assentes na Terra.

Segundo os especialistas demorará décadas a restabelecer a ligação ferroviária a Trás-os-Montes. Ligar Guimarães ao Ave por Chaves é um projeto para a próximo século. Ou quem sabe para uma próxima promessa eleitoral, quem sabe, até em 3D!

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