“Já arderam 15 mil hectares, dos quais mais de 10 mil hectares são em Valpaços”, afirmou hoje à agência Lusa Jorge Mata Pires.
O autarca descreveu uma situação “dantesca” que atingiu o concelho do norte do distrito de Vila Real e adiantou já ter enviado o pedido para que seja declarada situação de calamidade.
Este é um município essencialmente de produção agrícola e o fogo atingiu, segundo salientou, “centenas de hectares de vinha, arderam muitos olivais, muitos amendoais, explorações de frutos vermelhos, mirtilos”.
Contabilizam-se ainda cerca de duas dezenas de casas atingidas, entre casas de primeira e segunda habitação e devolutas, com quatro pessoas desalojadas e que foram realojadas em locais temporários.
Jorge Mata Pires disse que “são muitos os prejuízos” deixados pelo fogo que deflagrou na terça-feira à tarde em Ervões, em Valpaços, e se estendeu aos concelhos de Mirandela e Vinhais, já no distrito de Bragança.
Por isso mesmo, na quarta-feira a câmara ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Hoje, segundo disse, ainda se combatem as chamas no terreno, com uma frente na zona de Bouçoais e ‘ilhas’ em outros locais, pelo que espalhados pelo terreno estão muitos operacionais atentos a reacendimentos e em ações de consolidação e rescaldo.
Mas também já se está a trabalhar no levantamento dos prejuízos, antecipando que o município deverá remeter ao Governo o dossier preliminar na segunda-feira.
Jorge Mata Pires realçou que, durante estes dias, a “prioridade absoluta foi a proteção das pessoas e dos seus bens, a segurança das comunidades afetadas”, destacando o trabalho incansável de todos os operacionais que estão no terreno, desde bombeiros, militares da GNR, Proteção Civil ou Exército.
Explicou que, várias aldeias foram evacuadas ou então optou-se pelo confinamento das populações em locais seguros como forma de prevenção e de proteção dos residentes.
Disse ainda estar em contacto o ministro da Administração Interna, secretário de Estado da Proteção Civil e até o primeiro-ministro, que estão a acompanhar a situação.
O combate ao fogo foi dificultado, salientou, pelo vento intenso, e, em alguns períodos, o fumo intenso impossibilitou a atuação dos meios aéreos.
Segundo a página online da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 12:50 de hoje estavam mobilizados para este incêndio 907 operacionais, 302 viaturas e sete meios aéreos.



