Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Liberdade de mãos dadas com a paz no aniversário da Revolução dos Cravos

Há 48 anos, os portugueses saíram à rua para celebrar o fim da ditadura. Podiam, finalmente, viver em liberdade. Hoje, e numa altura em que se assiste a um conflito entre a Ucrânia e a Rússia, a paz foi o tema escolhido em Vila Real para assinalar mais um aniversário daquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos.

Ivanna Rohasco, ucraniana radicada em Vila Real há 13 anos, foi das primeiras a usar da palavra, lembrando que “vim para cá de livre vontade, a pensar no meu futuro e no da minha família”.

“O meu povo, pelo contrário, vê-se hoje obrigado a deixar tudo para trás e a procurar casa noutro país, longe da família”, frisa, acrescentando que “há oito anos, tudo mudou no meu país. Fomos invadidos pelo facto de querermos ser democráticos, livres, por querermos manter a nossa cultura, a nossa tradição, idioma e a nossa autenticidade”.

Segundo Ivanna, e “apesar de todas as dificuldades, limitações e obstáculos”, o povo ucraniano “tem lutado contra a ditadura e opressão russa, com todas as suas forças”, aproveitando para agradecer “todo o apoio que Portugal tem dado à Ucrânia”.
Minutos antes, algumas crianças do concelho, em representação das várias escolas, deram voz à sua opinião sobre o conceito de liberdade. Salvador Marques, da EB1 de Lordelo, foi o primeiro. Falou do 25 de Abril como um dia “em que se celebra a liberdade em Portugal”, lembrando que “é uma data que nos permitiu conquistar a liberdade de expressão e de imprensa, dando direito à saúde, à greve e ao ensino”.

Já Sofia Ribeiro, da EB do Prado, disse que “a paz no mundo tem origem na educação, no civismo e no respeito pelo outro”, referindo que “na escola aprendemos isso tudo e achamos que, pela paz, há muitas pessoas a precisarem de ir à escola”. Ainda sobre a paz, Francisco, da escola de Parada de Cunhos, lembrou que “não se pode manter a paz pela força, mas sim pela concórdia e justiça”.

OPINIÃO DOS PARTIDOS

Os partidos com assento na Assembleia Municipal de Vila Real foram, também, chamados a intervir. “Estamos aqui para comemorar o dia da liberdade e para relembrar a necessidade de esta ser acompanhada pela paz”, começou por dizer Bruna Guedes. A representante do CDS-PP lembrou que “as guerras não se fazem só com armas”, destacando alguns dos desafios da sociedade, desde logo a educação. “Temos os alunos mais bem formados da Europa, mas temos também os professores mais desvalorizados. É urgente cativar jovens para a carreira de docente, caso contrário a próxima pandemia será na educação”, afirma.
Do lado do PSD, Maria João Monteiro destacou o facto de, neste dia, Portugal celebrar “mais dias em democracia do que em ditadura”, acrescentando que “celebramos 48 anos de Abril em profunda solidariedade com o povo ucraniano”. Contudo, para o PSD, continuam a existir “fragilidades na saúde, na economia, na educação, na fixação de empresas e recursos qualificados”.

Já pelo PS, Rodrigo Sá destacou “as portas que Abril abriu”, sendo este “o dia em que ganhámos o direito de falar e dizermos o que nos vai na alma, sem mordaças. É o dia dos cravos, dos capitães, do fim da guerra colonial. É o dia da liberdade de imprensa, é o dia do fim da PIDE”.

Quanto ao partido Chega, não marcou presença nas celebrações, “não porque somos contra o 25 de Abril, mas porque o nosso deputado está com Covid-19 e não conseguimos substituí-lo em tempo útil”, explicou Sérgio Ramos à VTM, acrescentando que “somos favoráveis à liberdade e à democracia, cientes de que ainda há muito para fazer. Na próxima Assembleia Municipal, vamos, publicamente, pedir desculpas aos vila-realenses que votaram em nós”.[/block]

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