Ser cuidador informal é um trabalho exigente e desgastante. Estima-se que, em Portugal, existam cerca de 800 mil pessoas que cuidam, em casa, a tempo inteiro ou parcial, de um familiar, amigo ou vizinho dependente, sejam idosos, pessoas com demência, com doença crónica ou crianças com patologias graves.
A pensar nessas pessoas, a autarquia de Mirandela aderiu, em maio deste ano, ao projeto “Cuidar de quem cuida”, através de um acordo com o CASTIIS – Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de Sanguêdo. À data da assinatura do protocolo, Alberto Malta explicava que “a ideia é formar pessoas para poderem ajudar os cuidadores, para que possam, às vezes, substituí-las, momentaneamente, para que possam fazer tarefas inadiáveis. O objetivo é criar uma rede organizada que permita facilitar a vida aos cuidadores”.
Hoje, quatro meses depois, o balanço é positivo, ainda que a ideia de aderir a este projeto tenha surgido ainda antes da pandemia. “O município teve conhecimento do projeto através da associação Mentalmente e soubemos, desde logo, que seria importante para o concelho e para os cuidadores”, refere Susana Pereira. “Este ano conseguimos reunir as condições necessárias e criar uma equipa multidisciplinar, com a ajuda de algumas associações e entidades parceiras, que disponibilizaram os seus técnicos, para que o projeto pudesse sair do papel”, adianta a técnica, responsável pelo projeto em Mirandela.
O projeto “tem sido uma mais-valia para os cuidadores”, frisa Susana Pereira, explicando que “o objetivo é capacitá-los para que, no dia a dia, possam cuidar melhor e, acima de tudo, mostrar-lhes que também precisam de estar bem para fazer o seu trabalho da melhor maneira”. Os cuidadores “muitos deles, estão 24 sob 24 horas a cuidar destas pessoas e dão o seu melhor. Contudo, é um trabalho desgastante, não só fisicamente mas, principalmente, a nível emocional e é preciso cuidar deles, é importante que percebam isso”, salienta.
E é por terem consciência de que precisam de ajuda, para estarem bem mentalmente, que muitos cuidadores do concelho aderiram ao projeto. “Têm de pensar no seu bem-estar para poderem cuidar melhor do outro. É claro que falar é fácil, mas é importante que os cuidadores não se esqueçam de si, das suas necessidades”, frisa Susana Pereira, acrescentando que “fazemos trabalho em grupo e os cuidadores têm a oportunidade de trocar experiências. É uma forma de verem que não estão sozinhos. Além do conhecimento técnico que vão adquirindo, acabam por conhecer outras realidades e histórias”, confessa.
De referir que o trabalho é feito em grupos de 10 cuidadores, estando, neste momento, abertas as inscrições para o segundo grupo. “Caso haja um excedente ficamos com o contacto das pessoas para, mais tarde, contactarmos e formar um novo grupo”, conclui Susana Pereira.




