Domingo, 25 de Setembro de 2022

Mirandela abraça projeto para apoiar cuidadores informais

Desde maio deste ano que os cuidadores informais do concelho de Mirandela dispõem de um apoio especializado, através do programa “Cuidar de quem cuida”. O objetivo é ensinar-lhes como cuidar do outro e, sobretudo, a não se esquecerem de cuidar de si

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Ser cuidador informal é um trabalho exigente e desgastante. Estima-se que, em Portugal, existam cerca de 800 mil pessoas que cuidam, em casa, a tempo inteiro ou parcial, de um familiar, amigo ou vizinho dependente, sejam idosos, pessoas com demência, com doença crónica ou crianças com patologias graves.

A pensar nessas pessoas, a autarquia de Mirandela aderiu, em maio deste ano, ao projeto “Cuidar de quem cuida”, através de um acordo com o CASTIIS – Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de Sanguêdo. À data da assinatura do protocolo, Alberto Malta explicava que “a ideia é formar pessoas para poderem ajudar os cuidadores, para que possam, às vezes, substituí-las, momentaneamente, para que possam fazer tarefas inadiáveis. O objetivo é criar uma rede organizada que permita facilitar a vida aos cuidadores”.

Hoje, quatro meses depois, o balanço é positivo, ainda que a ideia de aderir a este projeto tenha surgido ainda antes da pandemia. “O município teve conhecimento do projeto através da associação Mentalmente e soubemos, desde logo, que seria importante para o concelho e para os cuidadores”, refere Susana Pereira. “Este ano conseguimos reunir as condições necessárias e criar uma equipa multidisciplinar, com a ajuda de algumas associações e entidades parceiras, que disponibilizaram os seus técnicos, para que o projeto pudesse sair do papel”, adianta a técnica, responsável pelo projeto em Mirandela.

O projeto “tem sido uma mais-valia para os cuidadores”, frisa Susana Pereira, explicando que “o objetivo é capacitá-los para que, no dia a dia, possam cuidar melhor e, acima de tudo, mostrar-lhes que também precisam de estar bem para fazer o seu trabalho da melhor maneira”. Os cuidadores “muitos deles, estão 24 sob 24 horas a cuidar destas pessoas e dão o seu melhor. Contudo, é um trabalho desgastante, não só fisicamente mas, principalmente, a nível emocional e é preciso cuidar deles, é importante que percebam isso”, salienta.

E é por terem consciência de que precisam de ajuda, para estarem bem mentalmente, que muitos cuidadores do concelho aderiram ao projeto. “Têm de pensar no seu bem-estar para poderem cuidar melhor do outro. É claro que falar é fácil, mas é importante que os cuidadores não se esqueçam de si, das suas necessidades”, frisa Susana Pereira, acrescentando que “fazemos trabalho em grupo e os cuidadores têm a oportunidade de trocar experiências. É uma forma de verem que não estão sozinhos. Além do conhecimento técnico que vão adquirindo, acabam por conhecer outras realidades e histórias”, confessa.

De referir que o trabalho é feito em grupos de 10 cuidadores, estando, neste momento, abertas as inscrições para o segundo grupo. “Caso haja um excedente ficamos com o contacto das pessoas para, mais tarde, contactarmos e formar um novo grupo”, conclui Susana Pereira.

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