Sábado, 16 de Maio de 2026
NacionalLares mais caros e com menos vagas agravam dificuldades das famílias

Lares mais caros e com menos vagas agravam dificuldades das famílias

O custo das mensalidades dos lares de idosos em Portugal continua a aumentar, num cenário marcado pela escassez de vagas e pela crescente procura. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, avançados pelo jornal Expresso, o preço médio de um quarto individual em lares privados atingiu, em 2025, cerca de 1.921 euros mensais, refletindo uma tendência de subida que se tem intensificado nos últimos anos.

Além do aumento dos preços, o setor enfrenta problemas relacionados com a falta de capacidade de resposta. Prova disso é que cerca de 70% dos lares não têm vagas disponíveis, o que dificulta o acesso das famílias a soluções adequadas para os seus idosos, uma realidade agravada pelo facto de Portugal ser um dos países da União Europeia com menor número de camas por utente. Ocupa o terceiro lugar entre os que apresentam menor cobertura neste tipo de resposta social.

O aumento das mensalidades está diretamente relacionado com a subida dos custos de funcionamento das instituições. Despesas com alimentação, energia e recursos humanos têm pressionado os orçamentos dos lares, sobretudo num contexto de inflação. A necessidade de contratar e reter profissionais qualificados, como cuidadores e enfermeiros, também contribui para o agravamento dos encargos.

Nos lares privados, os valores elevados tornam-se incomportáveis para muitas famílias. Em vários casos, as mensalidades aproximam- se ou ultrapassam os 2.000 euros, enquanto os valores das pensões médias dos idosos permanecem bastante inferiores. Isto obriga os familiares a suportarem a diferença, o que coloca “sufoca” algumas famílias, a nível financeiro.

As instituições particulares de solidariedade social (IPSS), embora ofereçam preços mais baixos, não conseguem dar resposta à procura. As listas de espera são extensas e podem durar meses ou até anos, especialmente nas zonas urbanas mais densamente povoadas.

Especialistas alertam que o envelhecimento da população portuguesa tende a agravar ainda mais esta situação. Com o aumento da esperança média de vida e a redução da capacidade das famílias para prestar cuidados informais, a procura por lares deverá continuar a crescer nas próximas décadas.

Perante este cenário, ganha força o debate sobre a necessidade de reforçar o investimento público no setor. Entre as soluções apontadas estão o aumento das comparticipações do Estado, a criação de novas vagas e o desenvolvimento de alternativas, como o apoio domiciliário e os cuidados continuados.

A conjugação de preços elevados e falta de vagas coloca, assim, um desafio urgente à sociedade portuguesa: garantir que todos os idosos tenham acesso a cuidados dignos, sem que isso represente um peso insustentável para as suas famílias.


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