Além do aumento dos preços, o setor enfrenta problemas relacionados com a falta de capacidade de resposta. Prova disso é que cerca de 70% dos lares não têm vagas disponíveis, o que dificulta o acesso das famílias a soluções adequadas para os seus idosos, uma realidade agravada pelo facto de Portugal ser um dos países da União Europeia com menor número de camas por utente. Ocupa o terceiro lugar entre os que apresentam menor cobertura neste tipo de resposta social.
O aumento das mensalidades está diretamente relacionado com a subida dos custos de funcionamento das instituições. Despesas com alimentação, energia e recursos humanos têm pressionado os orçamentos dos lares, sobretudo num contexto de inflação. A necessidade de contratar e reter profissionais qualificados, como cuidadores e enfermeiros, também contribui para o agravamento dos encargos.
Nos lares privados, os valores elevados tornam-se incomportáveis para muitas famílias. Em vários casos, as mensalidades aproximam- se ou ultrapassam os 2.000 euros, enquanto os valores das pensões médias dos idosos permanecem bastante inferiores. Isto obriga os familiares a suportarem a diferença, o que coloca “sufoca” algumas famílias, a nível financeiro.
As instituições particulares de solidariedade social (IPSS), embora ofereçam preços mais baixos, não conseguem dar resposta à procura. As listas de espera são extensas e podem durar meses ou até anos, especialmente nas zonas urbanas mais densamente povoadas.
Especialistas alertam que o envelhecimento da população portuguesa tende a agravar ainda mais esta situação. Com o aumento da esperança média de vida e a redução da capacidade das famílias para prestar cuidados informais, a procura por lares deverá continuar a crescer nas próximas décadas.
Perante este cenário, ganha força o debate sobre a necessidade de reforçar o investimento público no setor. Entre as soluções apontadas estão o aumento das comparticipações do Estado, a criação de novas vagas e o desenvolvimento de alternativas, como o apoio domiciliário e os cuidados continuados.
A conjugação de preços elevados e falta de vagas coloca, assim, um desafio urgente à sociedade portuguesa: garantir que todos os idosos tenham acesso a cuidados dignos, sem que isso represente um peso insustentável para as suas famílias.




