Sábado, 13 de Agosto de 2022

“Não temos dívidas e estamos entre os 100 melhores municípios”

Gustavo de Sousa Duarte está no último mandato como presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda. 12 anos ao leme de um concelho que, com as bandeiras de dois Patrimónios Mundiais (Arte do Côa e Douro), tem superado os obstáculos da interioridade e ganho alento para o futuro

-PUB-

Está à frente dos destinos da autarquia de Vila Nova de Foz Côa desde 2009, ano em que venceu as eleições autárquicas pelo Partido Social Democrata.

12 anos depois, no fim do terceiro mandato, e sem a possibilidade de se poder recandidatar ao cargo, Gustavo de Sousa Duarte faz uma retrospetiva ao passado, uma análise do presente e uma previsão do futuro do concelho.

“Estes últimos anos penso que foram de desenvolvimento nas várias vertentes, quer em investimentos públicos e privados, quer em consolidação de alguns projetos que estavam há alguns anos parados”, afirmou o autarca, exemplificando o caso do Museu do Côa que, devido à Troika, ficou em stand-by.

“Em 2010, praticamente no início do primeiro mandato, inaugurámos o Museu do Côa e, antes da pandemia, estava em velocidade cruzeiro”, disse Gustavo de Sousa Duarte, com a esperança de que, ultrapassada a crise pandémica, o Património Mundial do Côa retome a sua projeção e “traga bastante desenvolvimento não só ao concelho, mas também a toda esta região do Douro Superior”.

Brindado com dois Patrimónios Mundiais da UNESCO, o concelho de Vila Nova de Foz Côa tem apostado no turismo, com a criação de vários eventos que atraem, todos os anos e em diferentes épocas, milhares e milhares de pessoas, como é o caso mais evidente, a Festa da Amendoeira em Flor, uma tradição com 40 anos e que, com Gustavo de Sousa Duarte como presidente da autarquia, ganhou nova dinâmica.

O Festival do Vinho do Douro Superior, o Cinecôa – Festival Internacional de Cinema do Vale do Côa, o Côa Summer Fest e o Festival de Poesia e Música são outros dos exemplos da aposta do município na área do turismo. “Todos estes eventos foram criados no início do mandato, em 2009 e, em termos turísticos tem havido uma preocupação em investir nesta área”, disse o presidente, realçando o investimento feito também no Barco Rabelo “Senhora da Veiga”, que realiza passeios no Douro entre Régua e Barca d’Alva.

“Este concelho, com os dois Patrimónios Mundiais, com estas paisagens magníficas e com este turismo de natureza, aliados à excelência dos nossos produtos, tem aqui todo um conjunto de condições que nos acalentam um bom futuro para o concelho e para a região”.

CENTRO DE ALTO RENDIMENTO DO POCINHO

Foi erguido como o maior investimento do concelho, orçado em oito milhões de euros, sendo que dois foram despendidos pela autarquia. O Centro de Alto Rendimento de Remo e Canoagem do Pocinho foi um dos grandes desafios para o autarca, numa altura em que os fundos comunitários, destinados ao desporto, “estavam esgotados”.

“A albufeira do Pocinho tinha condições ímpares para a prática destas modalidades. Agarrámo-nos a todas essas potencialidades e conseguimos, à última da hora, convencer os nossos governantes”, explicou, orgulhosamente, acrescentando que, “e dito por quem já nos visitou, é uma referência mundial”.

“É o único que está situado no interior do país, o que poderá contribuir para o desenvolvimento do concelho”, destacando a arquitetura do mesmo, que atrai especialistas da área de todos os cantos do mundo pelo projeto de construção.

“NÃO É FÁCIL SER AUTARCA NO INTERIOR”

“O interior continua a ser discriminado e temos agora o exemplo do Plano de Recuperação e Resiliência. Continuamos a pensar que é no litoral que há mais gente, mas se continuarmos a pensar assim, nunca mais invertemos esse ciclo”, afirmou o presidente.

Gustavo de Sousa Duarte reforça que, embora haja alguns aspetos positivos, não é fácil ser autarca no interior”, recordando os desafios que tem enfrentado aos longo dos anos, como presidente da câmara, destacando o período em que a Troika chegou a Portugal. “Não foi fácil quando aqui cheguei, mas vínhamos empenhados, e ainda estamos, em fazer tudo por esta região”, disse o autarca salientando o encerramento do tribunal como um dos seus maiores desafios, tendo conseguido, após vários esforços, reverter a decisão do poder central.

“O nosso tribunal esteve em vias de ser condenado, mas agarrámo-nos a todos os argumentos. Foi uma luta que conseguimos ganhar. Fui um dos poucos autarcas a ser recebido pela ministra da Justiça da altura”, disse Gustavo de Sousa Duarte, sublinhando que Vila Nova de Foz Côa foi um dos cinco concelhos que viu a situação do tribunal revertida.

Também na área da saúde, e na iminência de perder o SUB (Serviço de Urgência Básico), que funcionava em contentores e servia os concelhos vizinhos, a autarquia teve que “se chegar à frente” e apresentar um projeto, para manter o serviço na região.

“Comecei a temer o futuro e se fosse pelo Ministério da Saúde ainda hoje estávamos à espera”. O autarca explicou que, com a ajuda dos “colegas” dos concelhos limítrofes e da CCDR-Norte, foi apresentado um projeto, orçado em mais de um milhão e meio de euros, suportados, na totalidade, pela câmara municipal.

“É uma boa herança que deixo. A Unidade Local de Saúde da Guarda paga-nos, todos os anos, 100 mil euros que, no fundo, era o que eles pagavam de renda pelos contentores”, disse, acrescentando que a obra, inaugurada em 2019 pelo primeiro-ministro António Costa, tem todas as condições necessárias para prestar um serviço de qualidade às populações. “Foi daqueles projetos que mais dores de cabeça nos deu, mas, ao mesmo tempo, mais gozo porque a saúde é fundamental”.

SAÚDE FINANCEIRA

Segundo o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, publicado a 24 de novembro pela Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), Vila Nova de Foz Côa é o 17º município, a nível nacional, com melhor eficácia e eficiência económico-financeira, classificando-se em 6º lugar no ranking dos municípios de pequena, dimensão (com menos de 20.000 habitantes) e em 1º lugar a nível distrital.

Na opinião de Gustavo de Sousa Duarte, “as contas valem o que valem”, mas “revelam os critérios exigentes, as decisões ponderadas e o rigor na gestão equilibrada e sustentável do município, assim como a seriedade em honrar os compromissos assumidos, o apoio às famílias e às diversas entidades concelhias, obtendo igualmente uma elevada capacidade de concretização de investimentos na valorização do território”.
Quando tomou posse, a autarquia “não estava falida, mas tinha alguma dificuldade financeira a curto prazo, com cerca de quatro milhões de dívidas a fornecedores”.

Neste momento, e a poucos meses de passar a pasta, Gustavo de Sousa Duarte afirma que deixa o município “sem dívidas à banca”. “Foz Côa não deve um tostão à banca. Não tem dívidas e tem uma situação financeira boa, estamos nos 100 melhores municípios”.

“QUEREMOS FAZER MAIS”

Nos poucos meses que ainda lhe faltam de mandato, o edil tem ainda alguns projetos em mente, que gostaria de ver concretizados, como é o caso dos passadiços do Côa e ainda a unidade hoteleira Foz Côa Story House, na zona histórica da cidade.

“Os projetos que ambicionámos e idealizámos, praticamente, conseguimos concretizá-los”, garantiu, sublinhando que “ainda há pano para mangas”.

“Vai haver muito que fazer, principalmente na área do turismo, com a articulação com a Fundação do Côa para que este património possa estar cada vez mais ao serviço do concelho e da região”, dando já a achega ao seu sucessor de que “não podemos ter a ideia de que as coisas aparecem feitas se não pusermos os pés ao caminho”.

Gustavo de Sousa Duarte recomenda que, numa altura em que “a bazuca está para chegar”, é preciso aproveitar esses fundos e “não olhar a meios para dignificar as populações, dando-lhes melhores condições de vida para que aqui se fixem, pois esse é o nosso grande problema”.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

COMENTAR FACEBOOK

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.