Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
José Pinto
José Pinto
Técnico Superior de Educação

O Domingo da Palavra de Deus

Foi tornada pública, no passado dia 30 de setembro de 2019, a Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio “Aperuit Illis”, do Papa Francisco, com a qual é instituída o Domingo da Palavra de Deus!

No ponto 3 do documento, escreve o Papa: “Portanto estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus. Este Domingo da Palavra de Deus colocar-se-á, assim, num momento propício daquele período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos. Não se trata de mera coincidência temporal: a celebração do Domingo da Palavra de Deus expressa uma valência ecuménica, porque a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida.”

A Carta Apostólica recorda-nos que “O Concílio Ecuménico Vaticano II deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus, com a constituição dogmática Dei Verbum. Das suas páginas que merecem ser sempre meditadas e vividas, emergem de forma clara a natureza da Sagrada Escritura, a sua transmissão de geração em geração (cap. II), a sua inspiração divina (cap. III) que abraça o Antigo e o Novo Testamento (caps. IV e V) e a sua importância para a vida da Igreja (cap. VI). Para incrementar esta doutrina, Bento XVI convocou em 2008 uma Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre o tema «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja» e, depois dela, publicou a exortação apostólica Verbum Domini, que constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades. Neste Documento, aprofunda-se de modo particular o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando, na ação litúrgica, emerge o seu caráter propriamente sacramental.” 

O Motu Proprio foi tornado público no dia em que a Igreja Católica celebrou a memória litúrgica de São Jerónimo (conhecido tradutor da Bíblia para Latim), no início do 1600º aniversário da sua morte (N.347-F.30/09/420) , que afirmou: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo.”

Apesar de estar consciente de que “não vá o sapateiro além da chinela”, atrevo-me a expressar a minha firme convicção de que este é um tempo mais do que propício para que as comunidades paroquiais tomem verdadeira consciência de que modo a Palavra de Deus está a ser proclamada pelos seus leitores, nas celebrações litúrgicas. E para que os leitores reconheçam  que proclamar a Palavra de Deus não é um “direito” ou um “dever”, mas é um serviço que prestam à respetiva comunidade, na humildade e na alegria de quem se sente sempre um entre todos os outros Filhos de Deus!

-PUB-

Para se ser um bom leitor, não basta querer (quando não, muitas vezes, exigir!) “subir” ao ambão e “fazer as leituras”. É necessário possuir e desenvolver caraterísticas específicas, com dedicação e empenho, tendo consciência de que apenas emprestamos a voz ao Autor dos textos! E não nos podemos esquecer que, quando a leitura, por qualquer motivo, é “defeituosa”, o mais certo é a Palavra de Deus não ter chegado, nas condições adequadas aos ouvintes, quantas vezes ávidos de uma “palavra” que os ilumine e os ajude a enfrentar uma nova semana de “vida”.

Fiquem com Deus!

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