Um padre foi nomeado para uma nova paróquia. Quando lá chegou, verificou que os habitantes daquela localidade pouco ou nada queriam saber de igreja e muito menos da Igreja, de tal modo que o edifício estava num estado muito degradado.
Quanto à Igreja local, também não estava de muito boa saúde: não havia sacristão, e nem uma única zeladora. Ninguém estava disponível para orientar as sessões de catequese, nem para proclamar as leituras ou cantar durante as celebrações. Ninguém para acolitar o padre durante a missa, nem mesmo ministros extraordinários da Sagrada Comunhão. Até os membros da comissão fabriqueira nunca apareciam às respetivas reuniões.
O padre João tinha de fazer tudo o que era necessário para manter a paróquia a funcionar, e, por mais que tentasse encontrar colaboradores, todos recusavam. A situação era insustentável e tornava-se necessário encontrar uma solução.
Uma noite, antes de se deitar, o padre João olhou para o crucifixo colocado na sua mesinha de cabeceira, e pareceu-lhe que Jesus sorriu e lhe piscou o olho. Naquele momento, pensou tratar-se de uma ilusão de ótica, mas…
Depois de cumprir as suas obrigações, ficou a olhar para Jesus Crucificado, tentando vislumbrar um novo sorriso ou um novo “piscar de olhos”. Durante largos minutos, nada! Continuou a olhar e, enquanto olhava para a imagem, lá começou a martelar-lhe no pensamento a lembrança das dificuldades que estava a passar, e começou a tomar consciência de que ainda não tinha pedido, verdadeiramente, ajuda Àquele que tudo pode e que nunca nos abandona, particularmente nos momentos mais difíceis da nossa vida.
Então, começou a falar com Ele… e escancarou as portas do seu coração, cheio de tristeza pelo estado lastimável em que se encontrava a paróquia.
Quando terminou, Jesus piscou-lhe o olho, sorriu-lhe de novo e sussurrou-lhe umas quantas palavras que encontraram eco no coração do padre João.
No final, o padre João apenas disse “Obrigado, meu Senhor e meu Deus”. Depois, colocou o crucifixo na mesinha de cabeira, deitou-se e dormiu o sono dos justos, como há muito não conseguia fazer.
No dia seguinte era Domingo, e o padre João dirigiu-se apressadamente para a igreja, a fim de rezar a missa da manhã. Não ia triste, como em muitas das outras vezes, quando sabia que ia encontrar, sentadas nos inúmeros bancos da igreja, meia dúzia de idosas, a rezar o terço. Desta vez era diferente. Ai se era!
Antes do final da homilia, tossiu algumas vezes, como que para aclarar a voz (mas o que pretendia era chamar a atenção das presentes), e disse do modo mais solene que conseguiu: "Minhas irmãs, quero comunicar-vos que, logo à tarde, em vez da missa das 6 horas, vou celebrar uma “missa de corpo presente”, a que se seguirá o “enterro” desta paróquia". E continuou com a celebração da missa, como se o que acabara de dizer fosse a coisa mais natural do mundo.
Algumas das presentes não perceberam logo à primeira, e perguntaram a quem estava mais próximo o que é que o padre tinha dito. Mas como nenhuma das presentes percebera bem o “anúncio” que tinha sido feito, uma delas, mais afoita, no final da missa, foi ter com o padre à sacristia e perguntou-lhe o que é que ele quis dizer com aquelas palavras. O padre só respondeu: “Venham e verão!”




