Sábado, 13 de Agosto de 2022
Vitor Pimentel
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O Homem que sabia tudo

Existe uma cidade, bem no norte de Portugal, que tinha um morador que emigrou para uma terra vizinha para fazer escola política.

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Existe uma cidade, bem no norte de Portugal, que tinha um morador que emigrou para uma terra vizinha para fazer escola política. Regressado à terra natal, juntou a equipa e começou a culpar tudo e todos porque nada era feito naquela terra.

“A economia está de rastos” dizia ele, “o museu de arte é um elefante branco”, “abram o museu das termas romanas!”, “façam uma piscina digna da nossa cidade!”, “a cidade está adormecida!”.

Há praticamente 4 anos, o morador quis dirigir a cidade e apresentou-se a eleições. Então começou a prometer… Prometeu uma piscina, prometeu um pavilhão multiusos, prometeu 500 postos de trabalho, prometeu abrir o museu das termas e imagine-se, até prometeu desenterrar o Sr. Assunto, que estava há 12 anos morto e enterrado entre a Madalena e Santa Maria Maior, só para ter a certeza que estava mesmo morto.

No fundo, o morador prometeu ACORDAR a cidade.

O morador ganhou, e teve oportunidade de cumprir o que prometeu. Mas quando chegou à Câmara Municipal reparou que quem lá tinha estado, tinha deixado muita coisa já preparada e que garantidamente iria ser feita.

Rapidamente, e bem diga-se, o morador executou as obras que os antecessores prepararam, mas como humildade de dar o devido mérito não era com ele, inaugurou-as como se fossem suas.

Criticou obras mal feitas anteriormente, mandou refazê-las, mas elas voltaram a abater. Podia ser a força da água, mas não, a culpa foi do empreiteiro. Avenidas ficaram em obras vários meses para além do prazo estipulado, depois foram abertas, mas rapidamente tiveram que voltar a ser fechadas por erros básicos, mas mais uma vez, a culpa é do empreiteiro.

O trânsito tornou-se um caos, porque decidiu passar vias a apenas um sentido e sempre no sentido da saída da cidade, mas como ele prometera ACORDAR a cidade, acha que cumpriu a promessa, pois os moradores da cidade tiveram que acordar todos os dias mais cedo para chegarem a horas aos seus compromissos.

Como não conseguia fazer nada do que prometeu, ainda tentou anunciar uma placa, mas ela nunca apareceu!

Então, apostou tudo no desenterrar o Sr. Assunto, porque ele teimava que não estava morto. Todos sabiam que o morto estava bem morto, mas ele decidiu que mesmo que estivesse morto, tinha prometido ser ele a fazer-lhe o funeral. Logicamente que o Sr. Assunto estava morto.

Ao fim de quatro anos, a cidade tem as obras que os anteriores deixaram quase concluídas, não tem piscina, nem multiusos, nem museu das termas aberto, nem 500 novos postos de trabalho, mas sempre se orgulha de ter sido ele a fazer o funeral do morto.

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