Sábado, 16 de Outubro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O “milagre Portugal”

Muito se tem falado sobre o “milagre Portugal” devido aos baixos números da Covid-19. Efetivamente, reconheço claramente um milagre. O dos portugueses se anteciparem ao governo e iniciarem confinamento e, ao mesmo tempo, a produção e a distribuição de máscaras numa altura em que a diretora geral de saúde e a ministra da saúde diziam […]

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Muito se tem falado sobre o “milagre Portugal” devido aos baixos números da Covid-19.

Efetivamente, reconheço claramente um milagre. O dos portugueses se anteciparem ao governo e iniciarem confinamento e, ao mesmo tempo, a produção e a distribuição de máscaras numa altura em que a diretora geral de saúde e a ministra da saúde diziam que era “uma patetice”.

Quanto ao resto, não existe qualquer milagre, mas têm acontecido muitos “não milagres”. 

1º não milagre – o atraso no pagamento às empresas em lay-off por parte da segurança social, que não chegou a tempo dos salários de abril.

2º não milagre – atraso no pagamento dos aumentos salariais aos médicos e enfermeiros.

3º não milagre – a autoridade nacional de proteção civil ter partilhado a conferência do primeiro-ministro, através da página do grupo parlamentar do Partido Socialista (uma confusão entre Estado, governo e partido à boa maneira soviética).

4º não milagre – a alteração de regras por parte do Instituto Nacional de Estatística na contabilização dos desempregados, colocando uma série de desempregados como inativos, de modo a descer a taxa de desemprego do primeiro trimestre de 2020 relativamente ao período homólogo de 2019.

5º não milagre – o mesmo governo que gasta 9,3 milhões de euros para a compra de ventiladores, gasta 15 milhões numa compra antecipada de propaganda institucional. Entretanto, fomos bombardeados nas últimas semanas com mais de 80 entrevistas de ministros! Milagre do marketing, provavelmente!

6º não milagre – meio milhão de pessoas, dos mais variados setores de atividade, necessitaram de recorrer ao banco alimentar e à Cáritas para se alimentarem.

7º não milagre – nos dois dias anteriores à comunicação do primeiro-ministro ao país, sobre o fim do confinamento, o número de testes diários baixou de mais de 4500 para menos de 1500 e até houve a coragem de rever o número total de infetados em baixa, devido a um erro de contagem! Com socialistas, números certos são sempre um milagre! 

Como já são “não milagres” suficientes, seria interessante obter uma explicação, para o aumento do número de mortos em março e abril de 2020 em relação a 2019. A diferença supera consideravelmente o número oficial de mortos por Covid. Então quem morreu de outras doenças será por falta de assistência, ou tratamento, ou operação, ou diagnóstico atempado? Os nossos profissionais de saúde são heróis, mas não fazem milagres perante tanta falta de meios! 

Está na hora de que as medidas tomadas pelo governo não sirvam para salvar políticos, mas sim para salvar cidadãos!

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