Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O mito do eterno retorno neste início de 2014

Em 10 de fevereiro de 1941 chegou a Lisboa o escritor romeno Mircea Eliade (1907-1986) que foi, provavelmente o mais importante filósofo e historiador das religiões. De entre as muitas dezenas de obras deixou um livro que apetece ler e reler sempre que a história dos povos se cruza e entrecruza com convulsões religiosas, políticas e culturais. A esse livro chamou o mito do eterno retorno. Em síntese procura este antropólogo encontrar explicação para o medo e para o desafio do homem, assumir a teoria que existe em cada um de nós, quando confrontados com a inevitabilidade da «separação física da obra da sua carne, um trabalho de parto que Eliade vive em antecipação da sua futura teoria sobre a solidariedade entre a vida e a morte».

A incerteza do momento seguinte, a ignorância do além, a falta do colete salva-vidas para qualquer emergência, o salto para o outro lado de nós, foram questões que se colocaram ao filósofo que nos deixou a sua visão existência. Essas preocupações existenciais levaram Mircea Eliade a teorizar sobre o mito do eterno retorno, título de um seus mais conhecidos livros. Nele procura refletir entre a humanidade religiosa e não religiosa, a partir do seu entendimento entre o tempo heterogéneo e o homogéneo. No seu entender, a percepção do tempo como homogéneo corresponde a uma forma moderna de não religião da humidade. Esse tempo é linear e irrepetível. Já para o homem arcaico ou para uma

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