Domingo, 1 de Fevereiro de 2026
No menu items!

O que será a eternidade?

Este mês de novembro lembra-nos que, segundo a contemplação do mistério de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a nossa vida é uma peregrinação para Deus, é um caminhar para a plenitude da vida em Deus.

-PUB-

Quando, muitas vezes, falamos da vida eterna, e é eterna não só porque é infinita, mas porque é total e plena, a mais bela experiência de vida que poderemos fazer enquanto pessoas humanas e seres criados por Deus e para Deus, passamos a ideia um pouco pobre de que a vida eterna é “estar” num certo lugar ou numa certa condição, viver na morada de Deus, “estar no céu”. Sabemos que queremos dizer mais do que dizemos, mas pode passar a ideia de que a eternidade é imóvel, fria, estática, quase vida infinita “sem vida”.

Alguém até sugeriu que seria a eternidade, uma vida, pelos vistos, sem grande graça e sem grande dinamismo, uma nulidade eterna, simplesmente estar vivo a contemplar uma luz. As representações que fazemos de Deus, na sua maioria, parecem transmitir esta ideia: pintamos sempre Deus sentado num trono, a contemplar a imensidão. É óbvio que a nossa linguagem é sempre limitada e nunca é fácil falarmos ou doutrinarmos sobre o que não vimos nem sabemos, e falamos muito a partir do que sabemos ou imaginamos. E também é verdade que os antropomorfismos estão sempre à mão para especularmos sobre Deus e suas verdades, levando-nos a ter ideias erradas e imagens imperfeitas.

Se Deus é a vida, certamente que será sempre vida em ação e movimento, gerando sempre mais vida, uma sarça que arde eternamente e nos porá sempre a arder, será uma vida envolvida pela juventude, pelo espanto, pelo desejo, nas palavras de S. Agostinho, uma “insaciável saciedade”. Como escreve François Varillon, “se a eternidade não fosse, em si mesma, nascente que brota, cascata jorrante e frescura de amor, só nos poderia oferecer como participação uma duração monótona”. E o P. Yves de Montcheuil também escreve: “A verdadeira vida eterna do cristianismo não consiste em fixar a alma na contemplação passiva dum objeto, mesmo sendo o mais perfeito de todos. Se a perfeição de todo o espírito é o triunfo nele da caridade, e se Deus é a caridade subsistente, o acabamento do espírito é tornar-se participante desta atividade imanente de Deus”.

Assim escreve Paul Claudel: “E se o desejo tivesse que cessar com Deus, ah, enviá-lo-ia ao inferno”. Portanto, a eternidade não será uma frialdade eterna, mas uma inesgotável, ilimitada e dinâmica vida de amor, de união e comunhão.

ARTIGOS do mesmo autor

A atual comunicação social

800 Anos do Cântico das Criaturas

O apateísmo

Haverá vida eterna?

O país e a imigração

NOTÍCIAS QUE PODEM SER DO SEU INTERESSE

ARTIGOS DE OPINIÃO + LIDOS

Notícias Mais lidas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS