Domingo, 19 de Abril de 2026

Haverá vida eterna?

Entrámos no mês de novembro, mês que na vida da Igreja é dedicado à homenagem e oração pelos falecidos, popularmente mais conhecido como o mês das almas.

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Somos confrontados com uma das certezas da vida: todos caminhamos para um fim, a morte. A vida é caduca. Um dia deixaremos de aqui estar. E depois da morte, continuaremos a viver?

O mundo de hoje foge destes temas e destas perguntas. Aliás, uma das características destes tempos é a ausência das grandes perguntas da vida: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Qual o sentido da vida? Isto hoje pouco interessa, vive e um dia morres e pronto. O mundo de hoje, que foge da profundidade e da verdade da vida como o diabo da cruz, prefere viver na ilusão de que não há morte ou mascará-la para não parecer o que é, ou até fantasiá-la. Afastar a realidade da morte não nos ajuda a viver melhor, pelo contrário, viveremos melhor encarando e aceitando a morte e dando-lhe um sentido.

Noto que muitas pessoas não creem na vida eterna, consideram isso uma bela invenção das religiões para se rodopiar o absurdo da vida e se dar um sentido à morte. Todos experimentamos resistências em acreditar noutra vida para além desta. Charles Aznavour, em tempos, numa entrevista a um meio de comunicação social, com um sorriso no rosto, afirmava que lhe custava acreditar num lugar onde pudessem viver eternamente todas as pessoas. Se o problema é o espaço, o padre Abbé Pierre, no seu livro Testamento, dá-lhe a resposta: veja quantas estrelas tem o universo, muito maiores do que o planeta terra, uma imensidão, vários sextilhões de estrelas. E é um cálculo. Em princípio, falta de espaço não há. Que existirão outras formas de vida, já alguns o afirmam.

De qualquer forma, certezas absolutas ninguém tem. Mesmo nós cristãos acreditamos na ressurreição de Jesus Cristo e esperamos outra vida para além da morte, mas essa vida e essa realidade é um mistério. Faremos todos bem em continuarmos a procurar a verdade mais profunda da vida. O rabino Levi Jizchak, com toda a serenidade, disse a um iluminista: “Meu filho, os grandes da Torá, com os quais discutiste, gastaram contigo as suas palavras e, quando os deixaste, riste-te a seu respeito. Eles não conseguiram, para ti, pôr em cima da mesa Deus e o seu reino, e também eu não posso. Mas, meu filho, pensa bem, talvez seja verdade”. O iluminista reuniu todas as suas forças para replicar; mas aquele temível “talvez”, ressoando incessantemente nos seus ouvidos, quebrou a sua resistência.

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