Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
Vila RealObrigações do leilão 5G podem ajudar uso de coleiras GPS nas vacas do Alvão

Obrigações do leilão 5G podem ajudar uso de coleiras GPS nas vacas do Alvão

O projeto que usa coleiras GPS no pastoreio das vacas maronesas e tem como obstáculo a falha de rede móvel, na serra do Alvão, pode beneficiar das obrigações de cobertura definidas no leilão 5G, segundo a Anacom.

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Os promotores do projeto Life Maronesa alertaram, no início do mês, para as falhas de rede móvel na serra do Alvão que estão a dificultar o recurso a dispositivos GPS nas coleiras colocadas no pescoço das vacas maronesas, uma tecnologia que tem como objetivo auxiliar o pastoreio do gado.

Este obstáculo está a obrigar à colocação de aparelhos retransmissores, nomeadamente na zona da aldeia de Lamas de Olo, em pleno Parque Natural do Alvão, a cerca de 15 quilómetros da cidade de Vila Real.

Após o alerta, o diretor da delegação do Porto da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) foi ao terreno conhecer o projeto e falou de uma expectável evolução do setor nos próximos anos.

“As soluções que estes produtores podem ter são muito indexadas também a soluções que a população pode ter (…) Ao beneficiarmos o espaço onde as pessoas vivem e as aldeias, estamos a beneficiar também todo o negócio que existe à volta”, afirmou hoje à agência Lusa Luís Roque Pedro.

O responsável especificou que, na sequência da implementação da rede de 5G e das obrigações de cobertura estabelecidas no leilão, 75% da população das freguesias de baixa densidade deverá ser servida com Internet a 100 megabits no final de 2023, percentagem que sobe para 90% em 2025.

“Penso que estas obrigações vão ajudar este projeto, mas não só este projeto como também outros que se podem fixar ligados a este”, frisou João Roque Pedro.

Referiu ainda que “um sinal de rádio não é um sinal que tenha paredes, ele vai-se espalhar ao longo do território”, pelo que vai beneficiar todo este espaço envolvente.

“O que posso dizer é que a situação vai ficar melhor, já está a ficar melhor, já se nota”, sublinhou.

Para ajudar os criadores no pastoreio do gado, o projeto Life Maronesa distribuiu 35 equipamentos GPS. O objetivo é facilitar a localização dos animais que andam em regime de pastoreio extensivo e percorrem a serra livremente.

Avelino Rego, que integra o projeto, e é engenheiro informático e também produtor de vaca maronesa, disse que, no entanto, foram detetadas “imensas zonas sombra” pelo que o GPS não consegue sinal suficiente para comunicar a sua localização, levando a que o dispositivo esteja várias horas ‘offline’, não permitindo que os criadores acompanhem o movimento do efetivo.

“Estes dispositivos comunicam a sua localização através da infraestrutura de telecomunicações GSM que, aqui na serra do Alvão, não funciona. Em alternativa, estamos a trocar os aparelhos de GSM para sigFox e estamos a adquirir à nossa conta os retransmissores para colocar aqui na serra”, salientou, acrescentando que, no total, estão a ser colocados cinco retransmissores.

Avelino Rego disse que o problema da falta de rede “é recorrente”, mas “não há soluções definitivas para este território” e defendeu a criação de “uma espécie de ‘roaming’ rural nacional” para, “de uma vez por todas, haver uma boa infraestrutura de telecomunicações” nas aldeias.

Luís Roque Pedro afirmou, precisamente, que o ‘roaming’ nacional é um dos “objetivos da Anacom” e explicou que o conceito “já existe hoje em dia”.

“Eu ligo o 112 qualquer que seja a operadora”, exemplificou.

O responsável frisou que o “primeiro objetivo” é mesmo melhorar a rede móvel independentemente do operador e referiu que o ‘roaming’ nacional seria uma das soluções, podendo-se replicar o conceito de quando um espanhol visita o território nacional e é livre de escolher o operador.

“O nosso papel como regulador é olhar pelos mercados, olhar pelos consumidores, mas olhar também por quem está a apoiar os consumidores, como é o caso destes projetos”, afirmou.


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